A taxa de desemprego no Brasil recuou para 8,7% no terceiro trimestre de 2022, informou nesta quinta-feira (27) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a menor marca desde o segundo trimestre de 2015 (8,4%). O resultado veio em linha com as expectativas do mercado financeiro.
A taxa de desocupação marcava 9,3% no segundo trimestre deste ano, o mais recente da série histórica comparável da pesquisa do IBGE, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). No trimestre até agosto, que integra outra série da Pnad, o indicador já estava em 8,9%.
O número de desempregados, por sua vez, recuou para 9,5 milhões no terceiro trimestre. É o menor nível desde o trimestre terminado em dezembro de 2015. O contingente somava 10,1 milhões no segundo trimestre deste ano.
Nas estatísticas oficiais, a população desempregada é formada por pessoas de 14 anos ou mais que estão sem trabalho e seguem à procura de novas vagas. Quem não tem emprego e não está buscando oportunidades não entra nesse cálculo.
A Pnad retrata tanto o mercado de trabalho formal quanto o informal. Ou seja, abrange desde os empregos com carteira assinada e CNPJ até os populares bicos.
A população ocupada com algum tipo de trabalho chegou a 99,3 milhões no terceiro trimestre, alta de 1% (mais 1 milhão) em relação aos três meses imediatamente anteriores. Com isso, voltou a bater recorde na série histórica iniciada em 2012, diz o IBGE.
“A taxa de desocupação segue a trajetória de queda que vem sendo observada nos últimos trimestres. A retração dessa taxa é influenciada pela manutenção do crescimento da população ocupada”, disse Adriana Beringuy, coordenadora da Pnad.
Em relação à forma de inserção dos trabalhadores, a pesquisa mostra que houve crescimento de 1,3% no número de empregados com carteira de trabalho assinada em relação ao trimestre anterior, chegando a 36,3 milhões de pessoas. Na comparação anual, o contingente cresceu 8,2%.
Já o número de empregados sem carteira assinada no setor privado (13,2 milhões de pessoas) foi o maior da série histórica, iniciada em 2012.
A queda do desemprego, a partir do ano passado, foi acompanhada pela criação de vagas de trabalho com salários mais baixos na média. A renda ficou fragilizada em um contexto de inflação elevada. Agora, com a recente trégua dos preços, o indicador começa a esboçar alguma retomada.
Segundo o IBGE, o rendimento real habitual cresceu, pela primeira vez desde junho de 2020, tanto na comparação trimestral (3,7%) quanto na anual (2,5%).
A renda foi estimada em R$ 2.737 na média. Estava em R$ 2.640 no trimestre imediatamente anterior e em R$ 2.670 em igual período do ano passado.
Economistas veem chance de a taxa de desocupação ficar mais próxima de 8% até dezembro no Brasil. A reta final do ano costuma ser marcada por contratações temporárias em razão da demanda sazonal em setores como o comércio.
O varejo deve contratar 109,4 mil trabalhadores temporários para o Natal de 2022, projetou na quarta (26) a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Se a previsão for confirmada, será o maior número em nove anos -ou desde 2013.
A retomada do mercado de trabalho, contudo, tende a perder ímpeto em 2023, sinalizam economistas. Pesa nessa avaliação o efeito dos juros elevados, que desafia os investimentos produtivos das empresas e o consumo das famílias.
Fonte: Folhapress
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