Lançada em setembro do ano passado, a cédula de R$200 existe e foi criada sob a justificativa de atender à demanda crescente por dinheiro físico, registrada desde o início da pandemia, segundo o Banco Central (BC). Mas, apesar da circulação de mais de 76,5 milhões da nova versão do papel moeda pelo país, a cédula é considerada rara no comércio amazonense.
Conforme o BC, no início da pandemia da Covid-19 a demanda por papel moeda cresceu expressivamente. Isso ocorreu porque os cidadãos mantiveram reserva de dinheiro; e ainda, devido aos pagamentos de benefícios financeiros, demandando a existência de mais notas físicas.
O BC antecipou encomendas previstas e revisou as projeções de demanda da população por papel moeda. Diante da revisão, o BC encomendou 450 milhões de cédulas de R$200 à Casa da Moeda, que já foram entregues, segundo o banco.
“O BC atuou para que não houvesse falta de numerário e que a população tivesse acesso garantido a bens de consumo básico. Imprimir mais cédulas de R$100 até o volume necessário não se mostrou alternativa factível, pois a capacidade de produção da referida denominação no ano de 2020 estava comprometida”, explicou o BC.
“Optou-se, então, pelo lançamento de uma nova cédula de R$200 com tamanho pré-existente (cédula de R$20), pois não haveria tempo hábil para adaptações no parque fabril da Casa da Moeda nem para fabricação por fornecedor estrangeiro”, completou.
Todos os estados receberam a nota de R$200
De acordo com o BC, as cédulas de R$200 foram distribuídas a todas as representações regionais. O banco informou que não possui levantamento de dados regionais. Até o dia 29 de julho de 2021 o BC registrou 76.564.157 cédulas de R$200 em circulação no Brasil.
A reportagem tentou contato com a representação do BC na região Norte, instalada em Belém (PA) para saber a quantidade de notas de R$200 enviadas ao Amazonas. Mas, a representação disse que não poderia fornecer informações.
“A produção e distribuição das notas seguem o cronograma planejado. O ritmo de utilização da cédula de R$200 vem evoluindo em linha com o esperado, e deverá seguir em emissão ao longo dos próximos exercícios”.
Para o economista Orígenes Martins, a alternativa para a falta de papel moeda em circulação seria a impressão de novas notas de R$100 e de R$50 e não a criação de uma nova cédula com maior valor.
“A Casa da Moeda tem uma das estruturas mais modernas do mundo. Não acredito que tiveram dificuldades estruturais para esse trabalho. Acredito que quiseram criar uma nova cédula com base em uma expectativa monetária para o Brasil, sem sucesso”, comentou.
“A nova nota dificulta o troco e incentiva a falsificação”, completou.
Texto: Priscila Caldas
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