Nesta quarta-feira (24), o Dia Mundial da Meningite chama atenção para a necessidade de vigilância e prevenção diante de uma doença que segue provocando impactos significativos na saúde pública brasileira.
Levantamento do RealTime1, baseado no informe epidemiológico de 2024 e nos dados do Painel Epidemiológico do Ministério da Saúde, revela que a meningite mantém altos índices de letalidade no país, com destaque para a Região Norte e, em especial, para o Amazonas.
Entre janeiro e abril de 2025, a Região Norte registrou coeficiente de incidência de 0,93 caso para cada 100 mil habitantes, enquanto o Amazonas apresentou índice de 0,70, segundo a plataforma do Ministério da Saúde.
Apesar de estar abaixo do Pará, que lidera os registros no Norte, o Amazonas segue com taxa de letalidade elevada, tendência observada nos últimos anos.
Crianças pequenas e idosos compõem as faixas etárias mais vulneráveis, enquanto a maioria dos casos confirmados ocorre entre pessoas de raça/cor parda, realidade que reforça a urgência de ações de prevenção, informação e imunização, especialmente nas áreas mais afetadas.
O que é meningite e por que preocupa
A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser provocada por bactérias, vírus, fungos ou parasitas, mas é a forma bacteriana que mais preocupa autoridades de saúde devido à sua evolução rápida e à alta letalidade.
Entre os principais agentes bacterianos estão o Neisseria meningitidis (meningococo), Streptococcus pneumoniae (pneumococo) e Haemophilus influenzae tipo B.
A transmissão ocorre principalmente por meio de gotículas respiratórias, contato próximo e compartilhamento de objetos pessoais.
Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez na nuca, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz e manchas na pele.
Em bebês, sinais como irritabilidade, choro persistente e moleira tensa exigem atenção redobrada. O diagnóstico e o tratamento rápidos são essenciais para evitar complicações graves ou morte.
Avanço dos casos e perfil epidemiológico em 2025
O painel do Ministério da Saúde atualizado até abril de 2025 aponta que a Região Norte notificou 573 casos de meningite, com 173 confirmações laboratoriais, além de 96 casos ainda em investigação.
A taxa de letalidade no Norte alcançou 14%, com predominância dos casos entre o sexo masculino (54%) e maior risco para menores de um ano de idade.
No Amazonas, o coeficiente de incidência chegou a 0,70 por 100 mil habitantes, enquanto o Pará e Rondônia apresentaram índices mais elevados.
Os dados por faixa etária revelam que crianças menores de um ano concentram o maior coeficiente de incidência, seguidas pelo grupo de 1 a 4 anos.
Entre os adultos, o risco volta a crescer a partir dos 50 anos. Em relação à cor/raça, pessoas pardas representaram 87% dos casos confirmados na região em 2025, e indígenas, brancos e pretos apareceram em proporções bem menores.
Além disso, 93,4% dos casos foram encerrados em até 60 dias e quase todos os registros foram investigados em até 48 horas, demonstrando avanços na vigilância epidemiológica.
Panorama histórico da meningite no Brasil e região Norte
Relatórios oficiais do Ministério da Saúde mostram que, de 2010 a setembro de 2024, o Brasil notificou mais de 355 mil casos suspeitos de meningite, com média anual de 15,5 mil confirmações e cerca de 1.500 óbitos por ano.
Em 2024, foram 14.352 notificações em todo o país, resultando em 7.706 casos confirmados e 974 mortes. A letalidade nacional ficou em 12,6%, mas chegou a 21,9% nas meningites bacterianas.
A Região Norte respondeu por 449 casos confirmados em 2024, com 51 óbitos e letalidade de 11,4%. O Amazonas teve 76 casos confirmados e 15 mortes, representando uma letalidade de 19,7%,acima da média nacional.
A maioria dos casos no estado foi de meningite bacteriana, responsável por 42 registros e 11 mortes, seguida de formas virais e tuberculosas.
A letalidade da meningite bacteriana no Amazonas ultrapassou 26%, índice preocupante sobretudo entre crianças pequenas e idosos.
Historicamente, a doença meningocócica liderou os casos graves e fatais. Em 2024, 8 casos e 2 óbitos desse subtipo foram registrados no Amazonas, com letalidade de 25%.
Já a meningite tuberculosa apresentou 15 casos e 5 mortes, atingindo letalidade de 33%, a mais alta entre os subtipos.
Prevenção, vacinação e recomendações
Devido à gravidade dos quadros de meningite, qualquer suspeita da doença deve ser considerada emergência médica.
O Ministério da Saúde orienta que casos suspeitos sejam levados imediatamente ao pronto-socorro hospitalar para avaliação e internação, já que a evolução pode ser rápida e exigir tratamento intensivo.
O tratamento da meningite bacteriana é feito com antibióticos administrados em ambiente hospitalar, sob prescrição médica, acompanhados de suporte clínico rigoroso, incluindo reposição de líquidos e acompanhamento dos sinais vitais.
Para as meningites virais, o manejo geralmente envolve internação para observação, pois na maioria dos casos a recuperação é espontânea. Casos graves, como infecção por herpesvírus, podem requerer antivirais específicos.
Já as meningites fúngicas necessitam de tratamento prolongado com antifúngicos, principalmente em pacientes imunodeprimidos.
Formas parasitárias também requerem internação e uso de medicamentos direcionados, além de controle intenso dos sintomas.
A prevenção primária é feita principalmente por meio da vacinação. O Programa Nacional de Imunizações do SUS oferece vacinas que protegem contra as principais causas de meningite bacteriana, disponíveis no calendário infantil e para grupos de risco:
- Vacina meningocócica C (Conjugada): protege contra o sorogrupo C da Neisseria meningitidis.
- Vacina meningocócica ACWY (Conjugada): previne contra os sorogrupos A, C, W e Y.
- Vacina pneumocócica 10-valente (Conjugada): protege contra doenças invasivas, incluindo meningite, causadas pelo Streptococcus pneumoniae.
- Vacina pentavalente: previne contra o Haemophilus influenzae tipo B (além de difteria, tétano, coqueluche e hepatite B).
Outras medidas de prevenção recomendadas incluem higiene frequente das mãos, evitar compartilhar objetos de uso pessoal, manter ambientes ventilados e, em casos de contato direto com pacientes diagnosticados com meningite meningocócica, realizar quimioprofilaxia com antibióticos para pessoas próximas.
Manter a vacinação em dia, agir rapidamente diante de sintomas e seguir as orientações médicas são fundamentais para reduzir os riscos da doença e salvar vidas, principalmente em regiões como o Norte e o Amazonas, onde a letalidade permanece elevada.
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