quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Grupo empresarial usava servidores para fazer empréstimos

Operação Fair Play, da PF, busca desarticular crime de pirâmide financeira que movimentou R$ 150 milhões em Manaus, Belém, Boa Vista e Natal.
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operação fair play
Os detalhes da investigação que deu origem a Operação 'Fair Play' foram apresentados, em coletiva de imprensa, na sede da Polícia Federal em Manaus, nesta sexta-feira (Foto: Larissa Cavalcante/RT1)

O grupo empresarial alvo da Operação ‘Flair Play’, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (14), pela prática de pirâmide financeira, se valia de servidores públicos para a obtenção de empréstimos consignados. Caíram no golpe pelo menos 350 servidores, segundo a PF.

“Os criminosos movimentaram mais de R$ 150 milhões no período de pouco mais de um ano e não se encontrou nenhum valor relevante que fosse investido. Usavam os servidores para conseguir dinheiro de instituição financeira legalizada”, afirmou o delegado chefe da investigação, Eduardo Zózimo.

Cerca de 50 policiais federais participaram da operação, para o cumprimento de sete mandados de prisão temporária e 19 ordens judiciais de busca e apreensão nas cidades de Manaus, Boa Vista, Belém e Natal.

Dos sete mandados de prisão temporária, três foram executados em Manaus e outro em Aracaju (SE), mas a identidade dos suspeitos não foi revelada. Outras diligências continuam para encontrar três integrantes do grupo que estão foragidos.

“Além dos mandados, foi determinado o bloqueio de bens e valores das pessoas físicas e jurídicas investigadas, tal como o sequestro de bens móveis e imóveis que, eventualmente, estejam em sua posse”, informou a PF.

Eventos

Os detalhes da investigação foram apresentados, em coletiva de imprensa, por três delegados federais, nesta sexta, na sede do órgão em Manaus, no bairro Dom Pedro, na zona Centro-Oeste, no entanto, a identidade dos suspeitos não foi revelada.

De acordo com os investigadores, a empresa investigada é ligada a um grupo empresarial que atua “nos mais diversos segmentos comerciais” relacionados à promoção de eventos como shows com “atrações nacionais na cidade de Manaus, campeonatos de pescaria, patrocínio de equipe de e-sports, até a compra e venda de automóveis”.

A operação da PF busca apurar os crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e a economia popular, lavagem de dinheiro e organização criminosa, investigados desde 2021 e que ainda persistem, contra um “grupo empresarial” do ramo de investimentos ligado à promoção de eventos, em especial shows.

Prisões e apreensões

Os policiais revelaram que o núcleo do grupo empresarial tem idade entre 24 e 26 anos, todos da cidade de São Gonçalo (RJ) e têm amizade de longa data, segundo a PF.

O grupo não tinha autorização do Banco Central e nem da Comissão de Valores Mobiliários para atuar como instituição financeira, mas prestava o serviço e vendia produtos de forma fictícia.

De acordo com o chefe da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros, João Marcelo Uchoa, desde setembro de 2021, a investigação vinha sendo realizada motivada por uma denúncia, que não era de uma vítima, que informou a atuação irregular do grupo empresarial.

Modus Operandi

Segundo delegado Eduardo Zózimo, o grupo aliciava servidores públicos municipais, estaduais e federais, ativos e aposentados, oferecendo rendimento fixo acima do mercado e bonificação sem a necessidade de capital próprio para o investimento.

“Eles solicitavam que o servidor procurasse empréstimo consignado, que em regra tem taxa menor, e se comprometiam a pagar as parcelas, além do rendimento fixo acima da média do mercado. E havia a bonificação para o servidor que indicava novos servidores, típico de pirâmide financeira. Faziam contrato sem valor para dar ar de legalidade e registrava em cartório tentando ludibriar”, explicou.

Segundo a PF, o valor do empréstimo era transferido pelo servidor para conta da empresa ou dos sócios. As parcelas do empréstimo eram pagas, mas o valor só poderia ser resgatado após 12 meses.

“Em determinado momento quando você atinge um certo limite de pessoas a serem recrutadas pelo esquema, não consegue mais dar conta. Pirâmide é isso: clientes mais novos pagando os mais antigos”, disse Uchoa.

Quem são os suspeitos?

A investigação da PF concluiu que não havia investimento e grande parte do valor angariado pelo grupo empresarial era usado pelos sócios, para compra de bens de luxo e viagens nacionais e internacionais, e pelas empresas criadas em nome desses diretores para lavagem de dinheiro.

“Todos eles são muito novos. Fica bem evidente que o esquema foi projetado de uma forma para que fosse apenas para o aumento patrimonial da própria empresa, sócios e chama atenção serem todos oriundos ou vínculo com a mesma cidade”, disse o delegado Uchoa.

Prisões e apreensões

Além de 19 mandados de busca e apreensão em Manaus (AM), Boa Vista (RR), Belém (PA) e Natal (RN), a Justiça Federal determinou o sequestro e bloqueio de bens de 27 pessoas físicas e jurídicas envolvidas no crime.

A PF apreendeu três carros de luxo, uma embarcação avaliada em R$ 6 milhões, duas armas de fogo na casa de um dos suspeitos, joias e porções de maconha na posse de dois suspeitos.

Recomendação

O delegado da PF, Sávio Pinzon, orienta que as vítimas procurem à Justiça para pleitear o ressarcimento de eventuais prejuízos.

Texto: Larissa Cavalcante

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