Riscos ampliados para desenvolvimento de câncer, Mal de Parkinson, má formação do feto e até abortos espontâneos estão entre as principais consequências da aprovação do Projeto de Lei 6.299/2002, o chamado ‘Projeto do Veneno’ caso seja aprovado no Senado. O alerta é da Organização Não Governamental ambiental Greenpeace que lamenta o texto ter sido aprovado na semana passada na Câmara Federal.
Na prática, diz o Greenpeace o texto flexibiliza a aprovação e uso dos agrotóxicos no País permitindo inclusive substâncias que não são permitidas nem em outros países. “Esse projeto substitui uma lei que é a única que temos hoje e que regulamenta a aprovação de agrotóxicos nocivos para a sociedade e exclui pontos cruciais de proteção à saúde. A aprovação na Câmara foi um acontecimento escandaloso”, disse a porta-voz de Agricultura e Alimentação do Greenpeace Brasil, Marina Lacôrte ao RealTime1.
A ativista lembra que o Brasil já é um dos maiores consumidores de agrotóxicos e que o PL apenas vai ampliar as possibilidades de contaminação de substâncias nocivas nas plantações, no solo, nas águas e no prato dos brasileiros. “O corpo humano é um só. Não dá pra aceitar essa situação que cria cidadãos de categoria diferentes, crianças na França protegidas das substâncias que fazem mal à saúde, enquanto as nossas no Brasil estarão expostas”, argumenta.
O Greenpeace divulgou uma lista para o RealTime1 com as principais substâncias que entram no País com a flexibilização proposta pelo PL do Veneno. Entre elas estão os organofosforados (acefato, clorpirifos, malationa, metamidofos) conhecidos pelos seus efeitos agudos, as manifestações iniciais se assemelham a quadros típicos de viroses. Os organofosforados são responsáveis pelo maior número de intoxicações e mortes registradas no Brasil.
Outro composto perigoso é o paraquate, considerado altamente tóxico e mortal. A exposição ao paraquate pode provocar em humanos danos em diversos sistemas: concentra-se nos tecidos alveolares e provoca fibrose pulmonar, o que leva a morte dos acometidos. Doses muito pequenas podem levar a morte de crianças e adultos. Em situações de exposição aguda o paraquate atinge fígado, cérebro, rins, coração, adrenais e músculos, mas o principal dano ocorre nos pulmões.
A lista do Greenpeace tem 30 substâncias nocívas, como bifenthrin (piretróide): considerados extremamente tóxicos pela Anvisa. Já o segundo, uma molécula classificada como H300 e fatal de ingerida; carbendazim, agrotóxico fungicida do grupo químico benzimidazol e está entre os dez agrotóxicos mais comercializados no Brasil; e o clorpirifós, relacionado à deficiência mental em fetos e redução do QI de crianças, entre outros.
No Senado, o presidente da Casa, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que o projeto de lei que flexibiliza a entrada de novos agrotóxicos no País terá um “trâmite normal”, sem excepcionalidades. Já o o líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA), reafirmou que a bancada do partido vai fazer resistência ao PL. “Bolsonaro é moroso para liberar vacinas e ligeiro para liberar veneno e agrotóxicos para a população comer. Nessa gestão, foram liberados mais de 1500 novos agrotóxicos, ele quer facilitar a entrada de mais 80 defensivos tóxicos no País e, consequentemente, no seu prato”, disse o senador ao site Vermelho.
Texto Emerson Medina
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