quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Desigualdade ainda é o maior desafio da educação no Brasil, aponta Ipsos

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Estudante em sala de aula no Brasil, representando o desafio da desigualdade na educação.
Alunos em sala de aula no Brasil: pesquisa Ipsos mostra que desigualdade ainda é o maior desafio educacional.

O sistema educacional segue no centro das preocupações globais, mas cada país enxerga desafios diferentes. É o que revela a pesquisa Ipsos Education Monitor 2025, feita com mais de 23 mil pessoas em 30 países.

No Brasil, o acesso desigual à educação foi citado por 37% dos entrevistados como o maior desafio, seguido da falta de financiamento público (34%) e da infraestrutura precária (29%).

Já na média global, prevalecem o currículo desatualizado (29%) e a formação inadequada de professores (27%).

Desigualdade vai além do acesso às vagas

Segundo Marcos Calliari, CEO da Ipsos no Brasil, o dado indica que a barreira já não é apenas abrir vagas, mas garantir condições iguais de permanência e qualidade para todos.

A desigualdade, somada à falta de recursos e infraestrutura, mostra que universalizar o acesso não basta sem universalizar a qualidade.

Na avaliação da qualidade geral do ensino, quase metade dos brasileiros (47%) considera o sistema ruim; 28% o avaliam como bom e 22% como regular. Em contraste, países como Singapura e Irlanda registram mais de 70% de aprovação. Globalmente, 35% classificam o sistema de seus países como ruim, 34% como bom e 29% como regular.

Expectativa de queda no número de alunos

Outro ponto do levantamento é a expectativa de queda no número de estudantes.

Em média, 36% acreditam que haverá menos alunos nas escolas nos próximos cinco anos, chegando a 81% na Coreia do Sul e 68% no Japão. No Brasil, 37% compartilham dessa visão, alinhando-se à média global.

Em relação às disciplinas, História é a favorita dos brasileiros (36%), seguida de Ciências (29%) e Matemática (27%). Mas a Matemática também lidera as rejeições (41%), junto com Educação Física (15%) e, empatadas, Religião, Línguas Estrangeiras e Artes (13%). No cenário global, História, Matemática e Ciências figuram tanto entre as mais populares quanto entre as mais impopulares.

Redução da disparidade de gênero nas escolhas escolares

A pesquisa destaca ainda a redução da disparidade de gênero nas escolhas escolares.

Entre gerações mais antigas, meninos preferiam Ciências e Matemática, enquanto meninas optavam por Literatura.

Já na Geração Z, essa diferença quase desapareceu, reflexo do incentivo global à presença feminina em áreas de ciência e tecnologia.

O quadro revela que o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais enquanto outros países avançam em currículos modernos e inovação.

Especialistas apontam que investir em infraestrutura, valorização docente e atualização pedagógica é crucial para transformar a percepção de qualidade e garantir que a educação cumpra seu papel de reduzir desigualdades.

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