A deputada estadual Joana Darc (União) informou, nesta quinta-feira (26), que vai formalizar denúncia aos órgãos ambientais sobre corte de árvores no Centro de Manaus, que tem revoltado moradores da capital nas redes sociais na semana de aniversário da cidade.
O corte vem sendo realizado pela concessionária de distribuição de energia elétrica Amazonas Energia como medida para garantir a integridade da rede. A prefeitura, por sua vez, informou que as normas técnicas do setor elétrico respaldam o serviço de poda e que monitoramento da Secretaria de Meio Ambiente (Semmas) constatou que as podas realizadas no Centro estão dentro do limite de segurança.
Presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM), Joana Darc disse que uma das árvores da avenida Eduardo Ribeiro foi literalmente “torada” e que considera isso “uma atitude criminosa, ainda mais em tempos de fumaças e queimadas!”.
O vereador Rodrigo Guedes (Republicanos) sugeriu que a concessionária e a Prefeitura de Manaus cheguem a um entendimento sobre o serviço de “tora”. “Digo tora porque poda não é”, observou. Ele sugeriu que escolham uma avenida, como a Eduardo Ribeiro, e façam fiação subterrânea para que não haja necessidade de uma poda mais agressiva das árvores.
Podas são diárias e necessárias, destaca concessionária
Ao RealTime1, a assessoria da Amazonas Energia explicou que as podas acontecem diariamente na cidade e seriam extremamente importantes. A empresa ressaltou que realiza apenas a poda de galhos e não o corte de árvores inteiras.
O objetivo é evitar danos à rede como curtos-circuitos, rompimento de cabos, danos a transformadores e a outros equipamentos, principalmente durante os temporais. A concessionária ressalta que, ao evitar o rompimento de cabos, por exemplo, a medida também evita choques elétricos em transeuntes, que podem ser fatais.
Prefeitura se manifesta sobre poda de árvores no Centro
Em nota, a Prefeitura de Manaus, por meio da Semmas, explicou que a poda realizada na avenida Eduardo Ribeiro pela concessionária Amazonas Energia segue a NBR 16246-1:2013. A norma define a poda como “a retirada seletiva de partes indesejadas ou danificadas de uma árvore”, a fim de se alcançarem objetivos específicos.
A prefeitura destacou que, nesse caso, os objetivos pretendidos são a segurança da rede elétrica e a regularidade do fornecimento de energia.
“O setor elétrico é regulado por normas técnicas de abrangência nacional que respaldam as concessionárias para a execução de tais serviços, visando à integridade da rede, dos equipamentos e da população. Para garantir uma operação segura, a poda faz-se necessária para criar uma faixa de segurança e possibilitar o afastamento dos galhos das árvores do cabeamento a fim de se evitar interrupções no fornecimento, além de possíveis descargas elétricas que, eventualmente, podem causar acidentes com transeuntes”, reforçou.
A Semmas também destacou a Seção 3.4.4, da NBR 16246-1:2013. O trecho diz que “o propósito da poda de árvores que estejam em risco imediato ou potencial com redes elétricas e outros serviços de utilidade pública é prevenir a interrupção no fornecimento desses serviços, cumprir os requisitos legais e regulamentares sobre distâncias de segurança, prevenir danos aos equipamentos, evitar a obstrução do acesso às estruturas e assegurar o uso correto da faixa de passagem”.
“A Semmas realiza o monitoramento dos logradouros e da quantidade de árvores manejadas visando à segurança da rede elétrica e resguardando a arborização presente nas vias da cidade A secretaria constatou que as podas realizadas estão dentro do limite de segurança, que é a distância mínima entre o condutor elétrico e a extremidade dos galhos das árvores. Para redes de baixa tensão o limite de segurança é de 1 metro e já para as redes de média tensão o limite de segurança é de 2 metros. Além disso, foram identificadas as tipologias de poda de redução e poda em V, ambas respaldadas pelas normas técnicas vigentes e aplicáveis ao sistema elétrico”, ressaltou.
“A Semmas ressalta que a concessionária já realizou o manejo na avenida Eduardo Ribeiro em diversas ocasiões e as árvores, da espécie oiti (Licania tomentosa), apresentam grande resistência ao procedimento e regeneração da copa se dá em questão de meses.Quanto ao período em que se realizou a poda, cumpre esclarecer que é o momento mais adequado pois justamente antecede o período do inverno amazônico, que é marcado por fortes chuvas e ventanias que poderiam trazer danos ao sistema elétrico e ocasionar acidentes como curto-circuitos, rompimento de cabos, descargas elétricas nas árvores, entre outros”, concluiu.
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