quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Custo logístico atrapalha Minha Casa, Minha Vida no interior, diz Sinduscon

Presidente da Sinduscon, Frank Souza, diz que regras do programa não favorecem municípios mais distantes.
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(Foto: Divulgação)

O Amazonas enfrenta desafios para implantar o programa Minha Casa, Minha Vida no interior do estado, diz o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon). De acordo com o sindicato, os custos logísticos são os principais empecilhos.

Segundo o presidente da Sinduscon, Frank Souza, as novas regras do programa não favorecem municípios mais distantes e, consequentemente, afetam a implantação do Minha Casa Minha Vida no interior.

“Quanto mais afastado o município, maior a dificuldade de implementar um programa habitacional do Minha Casa, Minha Vida por conta dos custos logísticos altos, que acabam não enquadrando no valor determinado pelo Governo Federal, que varia muito dependendo da população daquele município, da faixa de renda do cidadão, entre outro fatores”, ressaltou.

Além desse problema, o presidente também afirma que os municípios do Amazonas não têm condições financeiras para bancar estes projetos e nem terrenos dentro do conceito do novo programa.

“Nós estamos otimistas, e batalhando para que o Governo Federal atenda a região. Existe uma limitação, por estado, de unidade do Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e, também, uma limitação financeira”, finalizou.

O que a Sedurb tem feito para implantar o Minha Casa, Minha Vida no interior?

Em resposta ao RealTime1, a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) informou que o Governo do Amazonas está ciente do problema habitacional e fundiário e prepara o lançamento, em breve, do programa Amazonas Meu Lar.

“Trata-se do maior programa habitacional da história do Amazonas, criado com o propósito de proporcionar moradia digna para famílias de baixa renda, oferecendo a oportunidade de conquistar o sonho da casa própria e a garantia da propriedade do imóvel”, informou a assessoria.

O programa faz parte das ações coordenadas pela Sedurb, sob execução de dois de seus órgãos – a Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) e a Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab), além da Secretaria de Estado das Cidades e Territórios (SECT).

Conforme a Sedurb, o programa prevê a oferta de mais de 29 mil soluções de moradia à população, através de uma combinação de subsídios e a construção de novas unidades habitacionais, tanto na capital como no interior do estado.

“A intenção é, através do Amazonas Meu Lar, formar também parceria com o programa federal, tanto para a construção de novas moradias quanto na concessão de subsídio para a entrada do financiamento”, completou.

AAM trabalha para levar moradias para o interior do Amazonas

O RealTime1 entrou em contato com a Associação Amazonense de Municípios (AAM) para questionar o que a associação tem feito para levar moradias para a população desses municípios mais afastados.

Com exclusividade, o presidente da AAM, Anderson Sousa, falou sobre as medidas que estão sendo tomadas para atender o interior do estado. De acordo com ele, a AAM e a Sinduscon estão conversando com empresas cadastradas na Caixa Econômica em busca de alternativas.

A AAM quer que o Governo Federal libere um orçamento diferenciado para o estado, mas ainda não tiveram retorno. Como alternativa, os prefeitos têm disponibilizado terrenos para o programa, pois o valor para o projeto inclui a compra do terreno e a infraestrutura, diminuindo o custo para que as casas sejam construídas nesses locais.

“A associação tem procurado todos os prefeitos dando espaço a eles e orientando para que possam realizar o cadastro e a solicitação de casa para seus municípios, vinculando uma área a ser colocada no processo para que a Caixa possa enviar a empresa para realizar as obras.”

Anderson falou, ainda, sobre as dificuldades para levar os materiais para os municípios mais distantes.

“O custo amazônico é diferente. Uma balsa para chegar em Eirunepé e Envira, por exemplo, leva de 20 a 30 dias e precisa ser feito no inverno, pois no verão aparecem os bancos de areia e elas ficam encalhadas. Caso o projeto não saia, o empresário acaba tendo prejuízo nos recursos e a prefeitura do município precisa devolver o dinheiro”, disse.

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