quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Crime diversifica negócios e desafia segurança pública na Amazônia

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Crime diversifica negócios e desafia segurança pública na Amazônia

Facções nacionais e internacionais estão transformando a fronteira brasileira na Amazônia em um corredor multifacetado de crimes — que vai do narcotráfico ao garimpo ilegal e à grilagem de terras.

A preocupação foi reforçada durante o painel “O Desafio do Combate à Criminalidade Organizada nas Fronteiras Amazônicas: Tecnologias e Novos Arranjos”, parte integrante do 19º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) realizado esta semana em Manaus e que reuniu autoridades do Amazonas, Acre, Roraima e da Força Nacional para discutir como tecnologia e cooperação podem frear a expansão do crime organizado na região.

Amazonas: logística difícil e crime multifacetado

O major Diego Magalhães, secretário executivo do Gabinete de Gestão Integrada de Fronteiras e Divisas (GGI-F) da SSP-AM, descreveu os desafios do Amazonas, que possui mais de 1,5 milhão de km² e 3.870 km de fronteira, grande parte em áreas indígenas ou de proteção ambiental.

Ele destacou que facções nacionais e transnacionais atuam em diferentes frentes, com o narcotráfico ainda como principal fonte de renda, mas já diversificando para garimpo, pesca predatória e grilagem.

“O narcotráfico é a principal fonte de renda dessas organizações, mas elas já diversificaram para atividades como o garimpo e a grilagem de terras”, afirmou. Segundo Magalhães, projetos como a Base Arpão — que integra forças federais, estaduais e municipais — têm servido de modelo para outros estados.

Roraima: vulnerabilidade social e crime ambiental

A delegada da Polícia Civil de Roraima, Cândida Magalhães alertou para a vulnerabilidade das populações indígenas e ribeirinhas, que se tornam alvo de cooptação pelo crime organizado, especialmente no garimpo ilegal.

Ela citou que a população Yanomami, estimada em 35 mil pessoas, chegou a conviver com mais de 20 mil garimpeiros no território.
“Se o lucro compensa mais do que a penalidade, é preciso rever a lei de crimes ambientais”, defendeu.

Segundo ela, facções como o PCC e grupos venezuelanos passaram de prestadores de segurança armada a controladores diretos das áreas de extração ilegal.

Acre: fronteira densa e investimento em tecnologia

O coronel José Américo Gaia, secretário de Segurança Pública do Acre, lembrou que 18 dos 22 municípios acreanos estão na faixa de fronteira e que rios vindos do Peru e da Bolívia funcionam como rotas de escoamento de drogas.

Ele citou a criação da Diretoria de Meio Ambiente (Damais) na Polícia Federal, que coordena ações em toda a Amazônia Legal e gerencia recursos do programa Amazônia Mais Segura.

“Estamos inaugurando uma base aérea em Cruzeiro do Sul para atuar de forma permanente, inclusive com aeronaves não tripuladas”, disse. O Acre também está reformando bases do Gefron, unidade integrada contra crimes de fronteira, e adquirindo veículos aéreos não tripulados (VANTs) para vigilância.

Força Nacional: integração e suporte operacional

O coordenador-geral da Força Nacional, coronel Eliabe Guedes ressaltou a importância da integração entre estados e União para combater o crime nas fronteiras amazônicas.

Ele destacou o papel da Força Nacional como estratégico no apoio logístico, treinamento e operações especializadas, principalmente em áreas remotas que exigem resposta rápida e presença prolongada.

“A cooperação é a base para superar a limitação de recursos e garantir presença efetiva do Estado nas áreas mais isoladas”, concluiu.

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