Pesquisa apresentada na COP30 pela Associação dos Negócios da Sociobioeconomia da Amazônia (Assobio) revelou um dado incômodo: 66% dos brasileiros sabem pouco ou nada sobre bioeconomia, justamente o tema que o país tenta transformar em vitrine internacional.
O contraste é evidente. Enquanto especialistas discutem novos modelos de desenvolvimento sustentável em Belém, a maior parte da população sequer entende o que está sendo proposto em seu nome.
A bioeconomia já movimenta R$ 12 bilhões por ano na Amazônia, segundo o WRI Brasil, e tem potencial para triplicar até 2050, criando mais de 800 mil empregos.
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Ainda assim, o tema segue restrito a círculos técnicos e políticos, distante do cotidiano das pessoas que deveriam ser as principais beneficiadas por essa agenda.
Entre o discurso global e a falta de base interna
O dado mais simbólico da pesquisa é simples e preocupante: 7% nunca ouviram falar de bioeconomia, 23% só ouviram o termo e mais de um terço conhece o assunto de forma superficial.
O país que pretende liderar a transição verde ainda não conseguiu levar para a população informações básicas sobre o que isso significa na prática.
A distância entre o discurso internacional e a realidade interna também aparece nos obstáculos enfrentados por empreendedores da região amazônica, que lidam com problemas de logística, infraestrutura precária e dificuldade de acesso a crédito — gargalos antigos que seguem ignorados por governos sucessivos.
Apesar disso, há um sinal positivo: 82% dos brasileiros acreditam que é possível desenvolver a Amazônia sem destruí-la. A confiança existe, mas falta informação clara, política pública consistente e diálogo direto com quem vive e trabalha na região.
A COP30 deu protagonismo à bioeconomia, mas o país ainda precisa enfrentar o desafio mais básico: fazer com que a população entenda o que está em jogo antes de celebrar qualquer liderança climática.
Confira o estudo na íntegra:
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