Pela primeira vez na história do G20, a agenda de combate à desinformação e promoção da integridade da informação fará parte da declaração de ministros do fórum, no encontro que ocorrerá em Manaus.
O tema entrou em pauta após debates do grupo de trabalho Economia Digital, que se reuniu nesta semana em Maceió, Alagoas.
A 4ª Reunião do Grupo de Trabalho de Pesquisa e Inovação do G20, o grupo dos vinte países mais ricos do mundo, acontece entre os dias 16, 17 e 18 de setembro, na capital do Amazonas, no Centro de Convenções – Vasco Vasques (bairro Flores).
Além desses temas, o GT também fechou consenso para declarações sobre governo digital, inclusão e conectividade significativa e parâmetros para o desenvolvimento da inteligência artificial. A reunião ministerial acontece nesta sexta-feira (13/09).
De acordo com João Brant, secretário de Política Digitais da Secretaria Comunicação da Presidência da República (SECOM/PR), o grupo conseguiu negociar uma declaração sobre o tema entre as maiores economias do mundo, pontuando tanto a compreensão do problema quanto possíveis soluções para enfrentá-lo.
“Já temos como marco histórico colocar esse problema no centro da mesa e tratar numa ideia bastante ampla”, disse.
Brant explicou ainda que as estratégias discutidas entre os técnicos dos países-membros incluem educação midiática, responsabilidade e transparência das plataformas, bem como investimentos para pesquisas em ciência e tecnologia.
“Esse tema tem afetado o mundo inteiro, desestabilizado economias e passa a ser uma prioridade do G20″, concluiu o secretário.
O embaixador Luciano Mazza, coordenador do GT, destacou que a presidência brasileira está numa “posição muito boa” para levar aos ministros um pacote de resultados sobre questões importantes da agenda digital, ressaltando o trabalho intenso realizado ao longo do ano.
“Contamos com a participação muito construtiva de todos os países e podemos apresentar um pacote positivo e substancial do qual nós estamos bastante orgulhosos”, afirmou Mazza.
Inteligência artificial para todos
O desenvolvimento da inteligência artificial também foi um tema que recebeu destaque nos debates do G20 Brasil. Renata Mielli, assessora Especial do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), avaliou que a tecnologia tem sido desenvolvida por poucos países, ainda que o uso seja global.
A especialista enfatizou que o trabalho no fórum buscou construir caminhos para que cada país possa desenvolver suas tecnologias de forma mais diversa, refletindo as suas características culturais, sociais, econômicas, linguísticas e étnico-raciais.
“Da mesma maneira que essa é uma tecnologia que pode trazer muitos benefícios para a humanidade, também traz potencialmente muitos riscos. É preciso que os sistemas de inteligência artificial sejam desenvolvidos de forma segura, confiável, ética e responsável para que não reproduza preconceitos, discriminações e não perpetue vulnerabilidades existentes na nossa sociedade”, salientou Mielli.
Infraestrutura digitais inclusivas
Luana Roncaratti, secretária adjunta no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), indicou que os debates sobre governo digital no G20 tiveram como foco construir e disponibilizar soluções a partir do uso de tecnologias digitais que favoreçam e facilitem a relação entre as pessoas com o Estado.
Roncaratti contou ainda que as agendas de identidade digital e compartilhamento de dados também foram discutidas no fórum.
A secretária adjunta celebrou que os debates avançaram significativamente, contribuindo para que os países possam promover um “governo digital acessível, inclusivo e principalmente voltado para não deixar ninguém para trás”.
Inclusão e conectividade significativa
Daniel Cavalcanti, coordenador geral de políticas públicas do Ministério das Comunicações, detalhou que debates sobre conectividade universal e significativa teve como foco que os países assumissem o compromisso em fomentar, por meio de políticas domésticas, o acesso à internet com qualidade, em dispositivos adequados, custos acessíveis, bem como as habilidades digitais necessárias para que as pessoas possam explorar o potencial da tecnologia.
“Conseguimos um acordo internacional e indicadores e métricas para conectividade significativa para que cada país formular suas políticas públicas para onde existem deficiências”, disse Cavalcanti.
Com informações do G20 Brasil
Leia mais: