quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Casca do ingá-cipó pode gerar álcool gel, aponta pesquisa da Fapeam

De acordo com a pesquisadora, o estudo está sendo realizado nos laboratórios do Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia, com a coleta da matéria-prima em Itacoatiara.
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Estudos apoiados pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), têm revelado potenciais benefícios ambientais, econômicos e sociais ao Estado do Amazonas. Entre eles está a pesquisa “Obtenção de micro e nanocelulose utilizando como matéria-prima a casca do ingá-cipó via tratamento químico e avaliação na preparação de álcool gel”.

O projeto visa substituir o Carbopol, componente importado cuja intensa demanda atual levou a escassez e a falta do produto no comércio. O estudo, em andamento, é amparado pelo Programa Mulheres na Ciência, Edital 001/2021 da Fapeam. 

A coordenadora da pesquisa e doutora em Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Margarida Carmo de Souza, observou que, atualmente, na busca pela sustentabilidade, várias pesquisas estão sendo realizadas para garantir a preservação ambiental e proporcionar um melhor aproveitamento de resíduos, bem como contribuir para a economia, sociedade e ambiente. 

“Nesse sentido, estamos estudando o uso da casca do ingá-cipó para fins tecnológicos. Essa espécie é amplamente distribuída e cultivada na Amazônia e na América Central e a casca é o componente majoritário do fruto, cerca de 53% de sua massa. Essas cascas são grande fonte de biomassa lignocelulósica e acabam sendo desperdiçadas, gerando acúmulo de lixo orgânico. Portanto, a importância é usar o descarte do fruto e agregar valor ao que atualmente é lixo”, explicou Margarida Souza. 

De acordo com a pesquisadora, o estudo está sendo realizado nos laboratórios do Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia (ICET), com a coleta da matéria-prima de áreas da cidade de Itacoatiara (distante 176 quilômetros de Manaus) e comunidades adjacentes. 

“A pesquisa se encontra na fase de caracterização, físico-química e morfológica do material obtido, que é feita através de amostras de infravermelho, difração de raios X, microscopias eletrônicas de varredura e transmissão”, acrescentou. 

Conforme o cronograma, após essa fase, o estudo segue para a preparação do álcool gel de micro ou nanocelulose. 

As amostras de álcool gel obtidas nas diferentes proporções de micro e nanocelulose serão avaliadas quanto às propriedades reológicas (viscosidade, taxa de cisalhamento, etc) e propriedades microbiológicas, por parceiros de pesquisa em laboratórios de Ciência e Engenharia de Materiais da Ufam, Campus Manaus. 

“Após obtenção e caracterização do material, fazendo uso de metodologia descrita no Formulário Nacional da Farmacopéia Brasileira, substituiremos o componente gelificante pelo material obtido na pesquisa”, completou a pesquisadora. 

Sobre o programa – O “Programa Fapeam: Mulheres na Ciência” é uma iniciativa do Governo do Amazonas, que visa estimular a participação de mulheres na coordenação de propostas nas áreas de Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Ciências Agrárias no interior do estado. O Programa pretende dar visibilidade a projetos e promover o protagonismo feminino no sistema local de Ciência, Tecnologia e Inovação – CT&I. 

Com informações da Secom

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