Mesmo com a reabertura gradual do comércio e a previsão de que as companhias aéreas voltarão a operar no aeroporto Eduardo Gomes, os viajantes amazonenses devem pisar no freio antes de começar a fazer as malas. A estimativa dos profissionais do setor não é nada otimista.
Segundo Jaime Mendonça, vice-presidente de Emissivos da Associação Brasileira de Agências de Viagem do Amazonas (ABAV-AM), o fluxo de passageiros nos aeroportos somente deve se normalizar em meados de 2021. “Cerca de 90% dos aviões da frota brasileira estão no chão. Voltar a operar exige uma série de revisões e homologações de segurança”, avisa.
O comportamento das companhias aéreas confirma isso. O Grupo Latam – o mais forte do País – chegou a ter 95% dos aviões parados. A aérea já anunciou que somente em agosto começará a liberar gradualmente seus aviões. A Gol Linhas Aéreas também programou o retorno para este período. No momento, ela liberou apenas as operações na ponte aérea Rio-São Paulo.
Uma coisa é certa. Quem vive de turismo só pensa em riscar o mês de abril da memória. As agências de viagem do Amazonas sofreram forte impacto. Algumas passaram o mês inteiro sem vender um bilhete sequer. E muitas não conseguirão se recuperar. “Vejo o quadro com pessimismo. Muitos agentes de viagem optarão pelo home office definitivo mesmo após o fim da pandemia”, comentou Roberto Tavares, presidente da Abav-AM.
O setor de aviação no Amazonas somente estará recuperado quando a demanda anual voltar ao patamar de aproximadamente quatro milhões de passageiros, entre turismo, negócios e eventos. Antes da pandemia, o aeroporto Eduardo Gomes registrava a média diária de 150 pousos e decolagens. Atualmente, pouco mais de dez pousos ou decolagens são registrados no aeroporto.
A demanda de voos internacionais é ainda mais preocupante. A Latam deve retornar somente em agosto com seus voos para Miami. A American Airlines, que liga Manaus a todo o continente norte-americano, está com retorno previsto para setembro. E a Copa Airlines, principal ligação do Amazonas com o Caribe, foi mais radical: seus aviões só reaparecem por aqui a partir de janeiro do ano que vem.
Todas as companhias estão preocupadas com as medidas preventivas contra a disseminação da Covid-19. O retorno completo das aeronaves somente quando houver segurança total para tripulantes e passageiros.