quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Brasil tem potencial para criar plataformas de IA com o código aberto do DeepSeek

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Brasil pode se beneficiar com o código aberto da DeepSeek (Foto: divulgação)

O lançamento do código aberto do DeepSeek para o desenvolvimento de plataformas de inteligência artificial (IA) gerou novas perspectivas para o Brasil, que pode se beneficiar dessa abertura para criar soluções tecnológicas mais adequadas às necessidades locais.

Dawilmar Guimarães de Araújo, diretor do Departamento de Engenharia de Computação da Universidade de Taubaté (Unitau), defendeu que o Brasil tem a capacidade de aproveitar o código-fonte do DeepSeek para desenvolver suas próprias plataformas de IA, impulsionando as startups e promovendo investimentos públicos e privados em tecnologia.

“A abertura do código do DeepSeek é uma oportunidade significativa para o Brasil. Podemos usar essa plataforma como base para desenvolver soluções de IA que atendam às nossas necessidades específicas. O país tem o potencial e a capacidade, basta termos investimentos sérios e comprometidos na área”, destacou Araújo, enfatizando a importância de uma estratégia bem planejada para o avanço do setor.

Porém, o coordenador do MBA de Negócios Digitais da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Miceli, adverte que ainda não é possível afirmar que o código aberto do DeepSeek será o fator determinante no desenvolvimento futuro da inteligência artificial.

Miceli apontou que o DeepSeek, embora tenha sido um sucesso ao lançar seu chatbot, apresentou em seguida uma versão aprimorada do Janus, seu gerador de imagens, e ainda enfrenta a competição de modelos de IA de gigantes como a AliBaba.

“As expectativas para a IA foram profundamente alteradas. A utilização de menos recursos e a melhoria das soluções permitem que novas empresas lancem suas próprias plataformas de IA específicas. As grandes empresas de tecnologia também devem analisar e replicar as inovações trazidas pelo DeepSeek. Com isso, veremos um modelo de IA diferente do que imaginávamos inicialmente”, afirmou Miceli.

O papel do governo brasileiro

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, em entrevista à CNN, afirmou que o Brasil está comprometido em desenvolver seus próprios modelos de IA, com o objetivo de promover o bem-estar social e melhorar os serviços públicos.

O governo brasileiro vê a IA como uma ferramenta essencial para o desenvolvimento do país, especialmente para a modernização de serviços e combate às desigualdades sociais.

“O mais importante dessa nova tecnologia [DeepSeek R1] é que o Brasil tem recursos suficientes para competir no campo da inteligência artificial. Não é algo fora de alcance para países como o nosso”, afirmou a ministra Luciana Santos.

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), lançado em agosto de 2024, prevê investimentos de R$ 23 bilhões até 2028 para garantir que o Brasil se torne um ator relevante no cenário global de IA, com foco especial em sua aplicação no setor público.

Uma das iniciativas-chave do PBIA é o fortalecimento do Instituto de Inteligência Artificial do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), que trabalhará no desenvolvimento de modelos de IA específicos e no apoio aos pesquisadores brasileiros.

O supercomputador Santos Dumont, uma das principais ferramentas tecnológicas do LNCC, também será expandido, com o objetivo de se tornar um dos cinco maiores supercomputadores do mundo, impulsionando o desenvolvimento de um modelo de linguagem própria em português (LLM).

Com o PBIA e o desenvolvimento de IA em várias áreas, o governo brasileiro espera garantir que a tecnologia seja uma aliada estratégica para o país, promovendo inclusão social, redução de desigualdades e o fortalecimento da economia.

*Com informações da Agência Brasil

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