O governo Lula anunciou cifras bilionárias para o Amazonas. Pelo Novo PAC, lançado em 2023, prometeu R$ 47,2 bilhões em investimentos para o estado. No entanto, após quase três anos de mandato, a obra mais estratégica para a integração da região com o restante do Brasil — a BR-319 — segue abandonada.
Em setembro de 2024, o presidente prometeu entregar a BR-319 “de forma definitiva”. O anúncio, contudo, não veio acompanhado de cronograma, orçamento detalhado ou início das obras no trecho central.
O que se viu, de concreto, foi apenas a liberação de R$ 500 milhões para dragagens emergenciais nos rios Amazonas e Solimões, uma medida paliativa diante da estiagem histórica que paralisou a navegação.
Enquanto isso, rodovias no Sul e no Sudeste recebem duplicações e melhorias, mostrando que a desigualdade regional também se expressa no asfalto.
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Promessas, entraves e o peso da burocracia
A demora não pode ser atribuída apenas à falta de recursos. A ministra Marina Silva e órgãos como o Ibama desempenham papel central na paralisia. Pareceres técnicos intermináveis, revisões sucessivas e exigências contraditórias têm se transformado em mecanismos de bloqueio da obra.
Na prática, ao manipular informações e criar obstáculos administrativos, o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama travaram a BR-319, ignorando a urgência logística e social do Amazonas. Enquanto gabinetes em Brasília protelam, a população paga a conta da omissão: preços altos, isolamento e falta de competitividade econômica.
Em agosto de 2025, o governo criou colegiados interministeriais para “debater” a recuperação da rodovia. Foram reunidos sete órgãos, coordenados pela Casa Civil. Na prática, mais uma instância de discussão. Na estrada, nenhum avanço real.
O contraste com outras regiões é evidente. Enquanto o Amazonas se contenta com discursos, estados mais ricos recebem obras robustas, entregues em prazos curtos.
A BR-319 não é apenas uma rodovia. É a única ligação terrestre de Manaus com o restante do país. Sua recuperação reduziria custos logísticos, ampliaria mercados e diminuiria a dependência de transportes fluvial e aéreo, vulneráveis a crises climáticas.
Ignorar essa obra é condenar o Amazonas ao isolamento. É perpetuar a dependência de soluções improvisadas e onerosas.
Após três anos de governo, Lula deve ao Amazonas mais que promessas e discursos. Deve respostas concretas: quando a BR-319 deixará de ser a estrada da omissão federal?
Enquanto a burocracia de Marina Silva e do Ibama manipula e trava o processo, a rodovia mais importante para a integração do Amazonas permanece um sonho adiado. O estado não precisa de mais anúncios; precisa de máquinas no chão, asfalto na estrada e a dignidade de ser tratado como prioridade nacional.
Hoje, dia 8, o ministro Rui Costa terá uma reunião sobre o tema em Brasília e na terça Lula visitará Manaus.
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