domingo, 27 de setembro de 2026
CULTURA

Biblioteca Pública do Amazonas digitaliza acervo para disponibilização na internet

O acervo conta com obras raras, periódicos antigos, material acadêmico extenso, jornais e gibis.
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(Foto: Otávio Vislley/RealTime1)

Com um acervo de aproximadamente 160.790 mil exemplares de clássicos da literatura regional e mundial, a Biblioteca Pública do Amazonas avança no seu projeto de digitalização de obras para permitir a consulta popular dos livros de forma virtual.

O acervo conta com livros e folhetos com temática amazônica e de obras gerais, obras raras, livros de literatura amazônica, nacional, estrangeira e biografias, livros infantis, quadrinhos (HQs) e periódicos.

O acesso ao acervo digitalizado pode ser solicitado através do e-mail: [email protected] e/ou parte do mesmo, pode ser consultado no perfil do CDMAM na plataforma ISSUU, no endereço: www.issuu.com/bibliovirtualsec.

Biblioteca Pública: a história do Amazonas em um acervo de raridades

Com uma coleção que vai de mapas a quadrinhos, a Biblioteca Pública do Estado possui uma história de resiliência diante de ocorrências que acabaram causando danos à estrutura. Construído entre 1905 e 1910, o edifício foi palco de um incêndio que destruiu praticamente todo acervo em agosto de 1945.

O espaço armazena obras raras, periódicos antigos, material acadêmico extenso, jornais, gibis e documentos que registram o nascimento da cidade de Manaus.

A reportagem do RealTime1 visitou a biblioteca e coletou algumas curiosidades sobre a história e acervo da biblioteca.

(Foto: Otávio Vislley/RealTime1)

De acordo com a gerente da Biblioteca Pública, Maria Clara, o ‘acervo geral’ é aquele que possui o maior número de exemplares, armazenando entre 50 e 60 mil livros, folhetos, entre outras obras.

“Possuímos uma coleção linda de Legislação do Amazonas, datadas entre 1852 e 1969, repleta de Atos, Leis, Decretos, Regimentos e Regulamentos”, destacou.

Além disso, a biblioteca passa por um processo de mudança, para se manter atualizada diante das evoluções tecnológicas, disse a bibliotecária Dinamir Ortiz.

“Atualmente a biblioteca vem passando por um processo de automatização de todos os acervos para um gerenciamento eficiente, melhor recuperação e acesso à informação. A digitalização de Obras Raras está sendo fundamental para a preservação de conteúdo, reduzindo o desgaste físico desse material precioso através do manuseio”, disse.

A Biblioteca está localizada na Rua Barroso, esquina com a Avenida Sete de Setembro.

Acervo de Jornais

Todos os dias, a biblioteca recebe doações de edições do Jornal A Crítica, o único impresso da capital amazonense que ainda continua abastecendo o acervo público. Os jornais Diário do Amazonas e o Jornal do Comércio interromperam as doações desde que mudaram para a modalidade digital.

“Nosso acervo de jornais é crescente, pois todo dia recebemos jornais novos e temos público para a leitura desse material. Possuímos quatro mil pastas e 111 títulos diferentes de jornais”, disse Pâmela Souza, bibliotecária responsável pelo setor de Periódicos.

Acervo de Jornais. (Foto: Otávio Vislley/RealTime1)

Os jornais são separados entre corrente, especiais e raros.

“Fizemos um estudo para selecionar aquilo que poderia ser considerado como item raro. Por exemplo, jornais que possuem apenas um, a edição como a Edição comemorativa do Diário Oficial de 7 de setembro de 1922, que foi descoberto há algumas semanas pela nossa equipe”, destacou.

Pâmela contou, ainda, que algumas edições dos jornais acabaram se perdendo com ação do tempo.

Acervos Infantil e de Gibis

São 3 mil itens de histórias em quadrinhos, que estão divididos em quadrinhos regionais, nacionais internacionais (Mangás, Marvel e DC comics, por exemplo) e raros.

O setor infatil da biblioteca conta com, aproximadamente, 2 mil itens, segundo os bibliotecários do local.

Acervo infantil. (Fotos: Otávio Vislley/RealTime1)

Obras raras que podem ser encontradas na Biblioteca Pública do Amazonas

De acordo com a bibliotecária Dinamir Ortiz, o acervo de raridades possui critérios de seleção.

“Os principais critérios para selecionar obras raras são: Limite histórico (séculos XV, XVI, XVII, XVIII, XIX); aspectos bibliológicos (beleza tipográfica); Valor cultural (edições limitadas, assuntos históricos e clássicos, célebres); Pesquisa Bibliográfica (raridade, unicidade, preciosidade, curiosidade…); Características do exemplar (marcas de propriedade, dedicatórias…)”, afirmou.

Acervo de raridades da Biblioteca Pública do Amazonas. (Foto: Otávio Vislley/RealTime1)

Entre as raridades do acervo está o manuscrito original do livro ‘São Bernardo de Graciliano Ramos’, de 1934, doado pelo autor ao embaixador Mário de Freitas e adquirido pelo Governo do Estado na administração do professor Arthur Cesar Ferreira Reis.

De acordo com a gerente do local, devem haver mais dois do manuscrito, além do exposto na biblioteca do estado.

Outra exclusividade se encontra no acervo de jornais da biblioteca, a Edição Comemorativa do Primeiro Centenário do Diário Oficial de 7 de setembro de 1922.

Edição comemorativa do Diário Oficial de 7 de setembro de 1922 (Foto: Otávio Vislley/RealTime1).

Incêndio destruiu a maior parte da Biblioteca Pública em 1945

No dia 22 de agosto deste ano, completou 78 anos do incêndio que destruiu quase todo o acervo da Biblioteca Pública do Estado do Amazonas, em 1945.

As chamas destruíram toda a ala sul do prédio, que dava acesso a avenida Sete de Setembro. Durante o incêndio, os móveis e o acervo de mais de trinta mil títulos da biblioteca foram queimados.

De acordo com a gerente da biblioteca, Maria Clara, apenas uma coleção de sessenta livros raros se salvou, por terem sido transferida dias antes do desastre para um estande, montado na 1ª Exposição-Feira da Amazônia.

“Um dos itens sobreviventes ao incêndio de 1945, um Missal manuscrito foi enviado para restauro”, finalizou Maria Clara.

Reconstruindo a Biblioteca

No dia seguinte à tragédia, o interventor federal Álvaro Maia iniciou o processo de recomposição do acervo, doando cerca de 2.500 livros de sua coleção particular.

Alunos do Colégio Estadual e da Faculdade de Direito também se mobilizaram para ajudar, recolhendo livros doados pela população em um caminhão. A sociedade amazonense e instituições culturais de outros Estados e até de outros países também realizaram doações.

Em pouco mais de um mês, o acervo da biblioteca já havia recebido cerca de dez mil títulos. Além de Álvaro Maia, ao longo dos anos, a biblioteca recebeu doações de livros de Arthur Reis, Alfredo da Matta, Agnello Bittencourt, Mário Ypiranga, Ruy Araújo, André Araújo, Henoch Reis, entre outros. Essas obras existem até os dias de hoje e são classificadas como Coleções Especiais.

Após dois anos de reconstrução, a biblioteca foi reaberta ao público em 21 de novembro de 1947, com um acervo aproximado de 45 mil títulos.

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