quarta-feira, 23 de setembro de 2026
SERVIÇO GEOLÓGICO

Beruri: Terras Caídas ameaçam 361 áreas no Amazonas

Serviço Geológico do Brasil aponta existência de áreas, semelhantes a de Beruri, que podem sofrer deslizamentos.
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Cerca de 200 moradores da comunidade permanecem desabrigados. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Beruri)

O Amazonas tem 361 áreas de risco hidrológico e geológico semelhantes ao que causou a tragédia na vila de Arumã, na Reserva de Desenvolvimento Piagaçu-Purus, município de Beruri, região do rio Purus, onde um deslizamento de terras matou duas pessoas, deixou três desaparecidas e levou 200 casas para o meio do rio.

O levantamento é do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que alertava para o risco em Beruri e em outras 119 localidades, nas margens de diversos rios da bacia Amazônica. Elas podem ser tragadas pelo conhecido fenômeno das Terras Caídas, que assola comunidades construídas em barrancos.

O fenômeno das Terras Caídas é bem conhecido das autoridades e das comunidades amazônicas, mas este ano ele foi potencializado pela forte vazante dos rios.

Conforme os especialistas, os barrancos são “encharcados” pelas águas nos períodos da cheia e durante este período é o volume da água sobre a parede do barranco que mantém a estabilidade do terreno.

Normalmente, com a descida normal das águas há tempo suficiente para que o barranco “encharcado” na enchente vá paulatinamente secando e assim mantendo sua estabilidade.

Na vazante deste ano, contudo, a descida foi muito brusca em quase todos os rios da bacia. No rio Negro, por exemplo, houve uma descida de três metros em apenas 10 dias e, hoje, Manaus está em situação de vazante excepcional.

Com essa descida rápida de alguns rios da bacia, o terreno em risco segue encharcado e acaba ficando tão instável que causa o deslizamento.

Governo segue em Beruri

Em Beruri, a tragédia do último sábado ainda repercute entre a população. Conforme o comerciante José de Arimáteia Sila, a situação no Arumã já era conhecida e todos sabiam dos riscos de desbarrancamento, mas ninguém esperava pelo pior.

Ele contou que há muita movimentação na cidade das equipes de resgate e da assistência social do Governo, que enviou para o município e para a comunidade equipes do Corpo de Bombeiros para trabalhar nas buscas dos desaparecidos.

Há também a distribuição de água e cestas básicas para as famílias da comunidade, que está dentro de uma RDS e, portanto, está sob o guarda chuva da Secretaria Estadual de Meio Ambiente.

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