O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) lançou a plataforma “Bem Brasileiro”, um portal digital que reúne o patrimônio cultural imaterial reconhecido oficialmente no país nas últimas duas décadas e meia.
O site — desenvolvido em parceria com o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e o Laboratório de Inteligência de Redes da Universidade de Brasília e lançado nesta quarta-feira (8/10) — permite ao público acessar mais de 2 mil itens entre fotos, vídeos, documentos e registros técnicos relacionados aos bens culturais que expressam a diversidade do Brasil.
A plataforma está disponível para consulta por estado, tema, tipo de registro e data de reconhecimento, facilitando a busca de informações sobre tradições, celebrações, ofícios e lugares registrados nos Livros do Iphan, como o dos Saberes, das Celebrações, das Formas de Expressão e dos Lugares.
Amazonas no acervo: o patrimônio imaterial da floresta
No novo site, o Amazonas aparece com bens registrados que refletem tanto o conhecimento ancestral quanto as expressões culturais vivas de suas comunidades.
Entre os exemplos citados pelo Iphan estão os sistemas agrícolas tradicionais dos povos do Rio Negro, reconhecidos como patrimônio nacional e vinculados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas.
O modo de cultivo e manejo da terra desses povos está associado ao ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) e ao ODS 13 (Ação Contra a Mudança do Clima), reforçando a relevância dos saberes amazônicos na preservação ambiental e na segurança alimentar.
O acervo também reúne materiais sobre celebrações religiosas, locais sagrados e ofícios tradicionais praticados em comunidades ribeirinhas e indígenas, bem como registros de mestres da cultura popular que mantêm viva a herança imaterial do estado — de festas de santos padroeiros à arte do trançado e à musicalidade das marujadas e ladainhas.
Conexão com os saberes e mestres da cultura
Além dos bens registrados, a plataforma “Bem Brasileiro” permite cruzar informações entre tradições que compartilham atributos semelhantes, como rituais, práticas alimentares, danças ou modos de fazer.
Também estão disponíveis dados sobre mestres e grupos culturais que atuam na preservação do patrimônio imaterial em todo o país — uma forma de valorizar o protagonismo das comunidades na construção da identidade nacional.
Segundo Leandro Grass, presidente do Iphan, o objetivo é aproximar a população do acervo e estimular a participação na sua salvaguarda.
“A plataforma facilita o acesso e o entendimento sobre o que são esses bens, incentivando o engajamento na preservação dessas comunidades. É uma forma de dinamizar e valorizar nossa riqueza cultural”, afirmou.
Consulta pública e expansão do acervo
O Iphan informou que a plataforma será constantemente atualizada e, em 2026, passará a incorporar o resultado de novos mapeamentos regionais, como o projeto desenvolvido no Distrito Federal em parceria com a UnB, voltado à identificação dos bens culturais locais.
A proposta é que o portal se torne, nos próximos anos, um sistema integrado de acervos, reunindo também os bens tombados e os sítios arqueológicos cadastrados pelo Instituto.
A plataforma “Bem Brasileiro” está acessível gratuitamente no endereço bembrasileiro.iphan.gov.br e consolida-se como uma das iniciativas mais abrangentes de registro e difusão da cultura viva do país.