quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Barroso anuncia aposentadoria e pede que sucessora no STF seja uma mulher

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Foto: Reprodução/CNN

O ministro Luís Roberto Barroso anunciou sua aposentadoria antecipada do Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu que sua vaga seja ocupada por uma mulher.

Aos 67 anos, o ex-presidente da Corte decidiu deixar o cargo antes do prazo legal, alegando que “é hora de seguir outros rumos” e viver “um pouco mais da vida que resta”.

Barroso afirmou que já havia tratado do tema com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva há cerca de dois anos, negando qualquer relação entre sua decisão e o momento político atual.

Ele permanece na Corte até a próxima semana, quando pretende devolver os processos que ainda estão sob sua análise.

“Sou defensor de mais mulheres nos tribunais. A escolha é do presidente Lula, mas veria com simpatia se recaísse sobre uma mulher”, declarou o ministro em tom sereno durante sua última sessão plenária.

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Com a saída de Barroso, o STF voltará a ter apenas uma ministra entre os 11 integrantes — Cármen Lúcia. A declaração do magistrado reforçou nos bastidores o nome de Daniela Teixeira, ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), como uma das favoritas à indicação de Lula. Daniela é uma das cinco mulheres no STJ e atua em áreas de direito privado.

Além de Daniela Teixeira, são citados o advogado-geral da União, Jorge Messias, o ministro do TCU, Bruno Dantas, e o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

Ministra do STJ, Daniela Teixeira, é uma das cotadas à vaga de Barroso

Independentemente da escolha, Barroso deixa o recado que deseja ver ecoar no futuro da Corte: “O Brasil precisa de mais mulheres decidindo o destino do país, com coragem, sabedoria e sensibilidade.”

Legado de Barroso

Nomeado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff, Barroso consolidou uma trajetória marcada pela defesa das liberdades e dos direitos fundamentais.

Foi relator de decisões que impactaram o país, como a suspensão de despejos durante a pandemia, a ampliação da transparência do Judiciário e o reconhecimento de direitos ligados à saúde e ao meio ambiente.

Durante sua presidência no STF e no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), buscou aproximar o Tribunal da sociedade, simplificando a linguagem das decisões e incentivando o uso de tecnologias.

Fora dos gabinetes, manteve o tom humanista que sempre o caracterizou — recentemente, participou do Festival Folclórico de Parintins, onde, segundo amigos, “falava mais de boi-bumbá do que de votos e acórdãos”.

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