quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Barco voador do Amazonas inicia testes em água no 1º trimestre de 2026

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Desenvolvedor da AeroRiver posa ao lado do protótipo do Volitan, barco voador amazônico exposto em evento de inovação
Francisco Pedro, da AeroRiver, ao lado do protótipo do barco voador Volitan

Os primeiros testes em água do Volitan, o “barco voador” desenvolvido pela startup AeroRiver, estão previstos para o primeiro trimestre de 2026.

Com tecnologia nacional e foco na realidade amazônica, o Volitan é um veículo híbrido entre avião e embarcação que utiliza o efeito solo para transportar até dez passageiros ou uma tonelada de carga sobre os rios da Amazônia.

O Volitan foi criado para superar os desafios logísticos da Amazônia, onde a carência de estradas e as grandes distâncias entre municípios tornam o transporte aéreo caro e o fluvial demorado.

Com 18 metros de comprimento, terá autonomia de 500 quilômetros e velocidade máxima de 150 km/h, podendo transportar até dez passageiros ou uma tonelada de carga.

A proposta da AeroRiver é unir a eficiência da aviação à praticidade dos barcos, criando uma nova categoria de veículo que opera de dois a cinco metros acima da lâmina d’água, aproveitando o chamado efeito solo — fenômeno aerodinâmico que reduz o arrasto e aumenta a sustentação, diminuindo o consumo de combustível e ampliando a autonomia.

“A gente entende a dificuldade amazônica na questão de logística. É muito difícil conseguir receber e mandar insumos. Pensando nisso, desenvolvemos o Volitan, que utiliza o efeito solo, uma espécie de colchão de ar que aumenta a eficiência e reduz o consumo”, explica Francisco Pedro Souza de Lima, desenvolvedor de sistemas embarcados da AeroRiver.

Segundo Francisco, o veículo será capaz de decolar e pousar diretamente na água, operando em portos convencionais.

“Ele começa como uma embarcação, decola, voa entre dois e cinco metros acima do rio e pousa novamente na água. Estamos validando tecnologias em modelos menores, de três metros, mas esperamos iniciar os testes em água já em março do próximo ano”, afirma.

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A startup trabalha atualmente com protótipos em subescala, desenvolvendo e testando sistemas embarcados, aviônica e integração de software e inteligência artificial.

Francisco destaca que o time é formado por estudantes e engenheiros com formação em Engenharia da Computação e Aeronáutica, e que o projeto serve também como base acadêmica.

“Eu trabalho na parte sistemática do veículo, desenvolvendo os sistemas internos e a aviônica. Estamos adaptando tudo à nossa realidade, criando um painel próprio que atenda às necessidades do Volitan”, afirma o desenvolvedor.

Barco voador já foi premiado

O projeto foi premiado em programas de inovação, como o Inova Amazônia, e reconhecido pela Finep entre as iniciativas tecnológicas mais promissoras da Região Norte.

Segundo a AeroRiver, a meta é que o Volitan entre em fase de certificação e pré-comercialização a partir de 2026, com foco em rotas de passageiros, turismo, transporte de insumos e aplicações na área de saúde.

Além de reduzir o tempo de viagem entre cidades ribeirinhas, o veículo promete diminuir custos operacionais e emissões de CO₂. Um trajeto como Manaus–Parintins, por exemplo, que hoje leva dez horas de lancha, poderia ser feito em cerca de três horas com o Volitan.

A AeroRiver é uma startup formada por engenheiros e pesquisadores brasileiros com experiência em sistemas aeronáuticos e tecnologia embarcada.

A empresa foi criada com o objetivo de desenvolver soluções de mobilidade voltadas à Amazônia, onde os rios são as principais vias de transporte.

O Volitan é o primeiro veículo de efeito solo desenvolvido no Brasil e pode representar uma revolução logística e ambiental na região.

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