O 3º Alerta de Cheias do Amazonas, realizado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) indica que os rios Negro, Solimões e Amazonas têm baixa probabilidade de enfrentar cheias severas neste ano o que aumenta a preocupação com possibilidade de outra grave estiagem neste ano.
A pesquisadora do SGB, Jussara Cury, informou que a precipitação de chuvas está muito abaixo da média climatológica na região, prevendo chuvas extremamente baixas para junho, julho e agosto, especialmente no rio Madeira.
Os rios Marañon, Ucayali, Juruá e Purus, formadores do Solimões, estão em condições tão críticas que o modelo de monitoramento tem dificuldades em acompanhar.
A situação de Itacoatiara é a mais preocupante, pois o rio ainda não atingiu a normalidade e há tendência de descida dos níveis.
De acordo com Renato Senna, climatologista do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), o rio Negro teve uma recuperação, aproximando-se do padrão climatológico, e há expectativa de aumento nas precipitações.
O rio Japurá apresenta um comportamento similar ao do rio Negro, e o rio Içá começou a sair do déficit de precipitação, aproximando-se das condições esperadas.
A chegada do fenômeno La Niña, no segundo semestre, poderia trazer maiores precipitações. Porém, de acordo com Motta, há previsão do fenômeno acontecer é somente no último trimestre do ano.
“Se o La Niña se estabelecer, vai nos trazer condições de chuva maior no último trimestre deste ano [outubro, novembro e dezembro], início da próxima estação chuvosa. Então, como climatologista, minha expectativa é que a consequência de um La Niña só vai se estabelecer no início da estação chuvosa”, explicou Senna.
Entretanto, o superintendente do SGB de Manaus, Marcelo Motta, enfatizou que é necessário ser responsável ao tratar sobre a vazante.
“Nossos pesquisadores podem mostrar cenários diferentes. Se a natureza colaborar, pode haver uma mudança, e não enfrentaremos uma seca tão severa como a que imaginamos”, explicou.
Ele ressaltou a importância de disponibilizar informações para que as defesas civis e empresas possam tomar medidas preventivas.
“Estamos empenhados para disponibilizar essas informações à sociedade, para que as defesas civis, municipal e estadual, possam tomar as medidas necessárias para minimizar os impactos. Sabemos que as empresas que operam no Distrito Industrial de Manaus e aquelas que trazem insumos para a Zona Franca também compartilham dessa preocupação”

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