De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que existam cerca de 2 milhões de autistas no Brasil, com mais de 20 mil apenas no estado do Amazonas, conforme dados do Instituto Autismo no Amazonas. Contudo, uma lacuna de informações ainda persiste em relação ao número exato de autistas na fase adulta.
Em entrevista ao RealTime1, o psicólogo Bruno Matias destaca que, ao contrário do que se pensava anteriormente, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) não se limita à infância, sendo relatados cada vez mais casos em adultos.
Durante a conversa, Matias destacou diversos aspectos da condição, enfatizando sinais comuns em adultos autistas, como dificuldades na interpretação da linguagem não verbal, expressões faciais e gestuais, além de desafios na compreensão de ironias e metáforas.
Confira a entrevista completa:
A entrevista também abordou o estigma associado ao TEA na sociedade, especialmente em relação à falta de compreensão sobre as dificuldades emocionais e comunicativas enfrentadas pelos autistas adultos. Matias ressaltou a importância de reconhecer o TEA como uma condição legítima, não como falta de inteligência, e destacou a necessidade de acolhimento e compreensão.
O psicólogo ressalta a importância do diagnóstico precoce e do suporte adequado para adultos autistas. Ele enfatiza que, ao perceber sinais do TEA, é fundamental procurar um neurologista para uma avaliação e encaminhamento para outros profissionais, como psicólogos, fonoaudiólogos e nutricionistas, conforme necessário.
Canabidiol para pessoas autistas
Quanto ao tratamento, Bruno Matias discute a crescente discussão sobre o uso do canabidiol como uma alternativa viável. Ele explica que o canabidiol pode ajudar a regular os sintomas de ansiedade, irritabilidade e estresse comuns em pessoas autistas, proporcionando um melhor ambiente para o tratamento terapêutico.
Entretanto, ele reconhece que ainda existe um tabu em torno do uso do canabidiol, e que mais informação e aceitação são necessárias para sua adoção generalizada. A falta de entendimento sobre o uso medicinal dessa substância pode gerar preconceito e dificultar o acesso ao tratamento adequado.
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