A Justiça do Trabalho autorizou a realização de uma auditoria independente para investigar as contas do transporte público de Manaus.
A decisão do juiz substituto da 13ª Vara do Trabalho de Manaus, Gabriel César Fernandes Coelho, atende a um pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), após os atrasos de salários que levaram os rodoviários a paralisar as atividades por 24 horas em setembro.
Segundo a decisão judicial, um perito contador será nomeado para examinar as receitas obtidas com a venda de passagens e as despesas com pessoal e manutenção dos ônibus das sete empresas que operam na capital.
O trabalho será totalmente autônomo e não terá vínculo com a auditoria determinada pela Justiça comum, que analisa o reajuste tarifário e é conduzida pelo Ministério Público do Amazonas (MP-AM) contra a Prefeitura de Manaus.
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Déficit e polêmica sobre tarifas
As empresas de transporte alegam que o sistema é deficitário e dependem do subsídio municipal para manter as operações. O déficit mensal estimado é de R$ 44 milhões, já que as empresas arrecadam cerca de R$ 31,8 milhões, frente a um custo total de R$ 75,8 milhões.
Segundo dados apresentados pela prefeitura, o custo real da tarifa é de R$ 9,23 — dos quais o passageiro paga R$ 4,50, enquanto o município cobre os R$ 4,73 restantes.
A discussão sobre as contas e a falta de transparência financeira ganhou força após o MPT reforçar o pedido de auditoria em audiência realizada em setembro, quando rodoviários cruzaram os braços por atraso de salários.
O acordo que encerrou a paralisação contou com a intermediação do juiz Gabriel Coelho e a promessa do Governo do Amazonas de repassar R$ 19,1 milhões ao Sinetram, referentes à compra de meias-passagens de estudantes.
Mesmo com o acordo, novos atrasos foram registrados, reacendendo a suspeita sobre a real situação financeira das empresas e o destino dos recursos públicos usados para sustentar o sistema.
Com a auditoria autorizada, espera-se que a Justiça do Trabalho possa esclarecer, de forma técnica e independente, os números que há anos alimentam controvérsias entre empresários, prefeitura, trabalhadores e usuários do transporte coletivo.
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