quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Até 75% da redução de chuvas na Amazônia está ligada ao avanço do desmatamento

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Foto: Felipe Freire

Estudo publicado nesta terça-feira (2/9) na revista científica “Nature Communications” aponta que 75% da perda de chuvas na Amazônia desde 1985 está ligada diretamente à derrubada da floresta, superando até mesmo os efeitos do aquecimento global.

Segundo a pesquisa, conduzida por cientistas brasileiros e estrangeiros, o avanço do corte raso fez com que a floresta deixasse de receber, em média, 15,8 milímetros de chuva por estação seca.

Além disso, a temperatura máxima do ar aumentou cerca de 2 °C no mesmo período, sendo que 16,5% desse calor extra está diretamente relacionado ao desmatamento.

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O levantamento indica que basta a perda de 10% a 40% da cobertura vegetal para que os efeitos no clima sejam sentidos. Isso acontece porque a vegetação amazônica libera partículas essenciais para a formação de nuvens e chuvas.

Quando a floresta é derrubada, esse ciclo natural é interrompido, provocando secas mais severas e aumento das temperaturas.

Além disso, os rios amazônicos apresentam níveis cada vez mais baixos, afetando a biodiversidade aquática e comunidades que dependem da pesca e da agricultura de subsistência.

Se o ritmo atual continuar, o estudo prevê que, até 2035, a Amazônia poderá enfrentar um aumento de 2,64 °C nas temperaturas máximas e uma redução de 28,3 milímetros de chuva por estação seca em relação a 1985.

Os impactos do desmatamento vão além da região amazônica. A floresta desempenha um papel essencial no abastecimento de umidade por meio dos chamados “rios voadores” — correntes de vapor que transportam água para áreas agrícolas do Centro-Oeste e do Sudeste.

Regiões como o arco do desmatamento, no sudeste da Amazônia, já registram secas prolongadas, queimadas severas e calor extremo.

Pesquisadores alertam que o bioma pode estar se aproximando de um ponto crítico. Embora não haja consenso sobre quando ocorrerá o chamado “ponto de não retorno”, há sinais de que, sem mudanças, a floresta pode começar a apresentar características semelhantes às do Cerrado ou até da Caatinga.

Confira o estudo na íntegra:

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