quarta-feira, 17 de julho de 2024

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Arqueólogo avalia porto das lages como atentado ao Encontro das Águas

Em audiência na Câmara dos Deputados sobre o Encontro das Águas, a construção do Porto das Lages, em frente ao fenômeno dos rios Negro e Solimões, gerou polêmica.
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Encontro das Águas

“A construção de um porto na região do Encontro das Águas [em Manaus] é um atentado ao patrimônio biocultural da Amazônia”. O alerta é do arqueólogo Eduardo Góes Neves, professor titular da Universidade de São Paulo (USP), durante discurso em audiência pública extraordinária sobre a Homologação do Tombamento do Encontro das Águas, realizada nesta quarta-feira (10), na Câmara dos Deputados, em Brasília, em formato hibrido (presencial e virtual).

A audiência é realizada pela Comissão de Integração Nacional, Desenvolvimento Regional e da Amazônia da Câmara dos Deputados a pedido do deputado federal José Ricardo (PT), que presidiu a sessão.  O Encontro das Águas entre os rios Negro e Solimões percorrem os municípios de Manaus, Careiro da Várzea e Iranduba, no Amazonas.

Eduardo avalia que uma construção portuária na região da Ponta das Lages é um ataque à herança paisagística do Brasil. “É um atentado contra a natureza e a própria imagem do país, ao modo de vida dos povos tradicionais – indígenas e ribeirinhos –, que construíram esse patrimônio único: que é o patrimônio biocultural da Amazônia”, enfatiza o arqueólogo.

Ele destaca que a Amazônia é entendida hoje como um patrimônio biocultural da humanidade, cuja história de formação reflete não só ações de força da natureza, mas também ações das populações tradicionais (índios, ribeirinhos, seringueiros, quilombolas, entre outros).

“O Encontro das Águas é um símbolo disso, desse patrimônio biocultural que tem uma expressão que vai além da dimensão local de Manaus e do Amazonas. É uma expressão que atinge o Brasil e o mundo inteiro”, defende o professor da USP.

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Porto das Lages vai desafogar trânsito de navios contêineres no Encontro das Águas, defende empresa

Sobre o assunto da construção do Terminal Portuário das Lages, Guilherme Augusto, representante da Lages Logística, empresa que opera os terminais de Manaus, defendeu, durante a audiência, que a construção do porto não representa uma inovação no transporte de cargas e nem o aumento do número de navios que transitam pela região.

Atualmente, segundo Guilherme, navios contêineres atravessam o Encontro das Águas e colocam em risco os barcos de visitação de turistas.

“Com a construção do terminal portuário, esses navios vão parar antes do fenômeno do Encontro das Águas. A distância do porto para o encontro das águas é de quase três quilômetros e, hoje, um navio cargueiro precisa atravessar esse ponto turístico para chegar até os portos que estão em operação na cidade. O objetivo com a construção do porto das lages é reduzir o transporte de cargas na região. Além disso, a construção não impacta o sítio geológico da Ponta das Lages”, diz o representante da empresa.

Convidados parao debate

Além de Eduardo Góes Neves, participaram da audiência: Rossano Lopes Bastos, livre-docente em arqueologia brasileira na USP; Lafayette Garcia Novaes Sobrinho, mestre em direito agro ambiental pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT); Elisa Wandelli, coordenadora do Movimento SOS Encontro das Águas; Ademir Ramos, coordenador do Núcleo de Cultura Política da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), entre outros.

Sobre o tombamento do Encontro das Águas

Em 2010, o Encontro das Águas foi tombado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O tombamento assegurou a proteção dos dez quilômetros contínuos do fenômeno, além dos 30 quilômetros quadrados do seu entorno.

No entanto, a medida foi contestada pelo governo do Amazonas e, atualmente, é assunto de discussão e ação no Superior Tribunal Federal (STF).

Texto: Isac Sharlon

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