sexta-feira, 25 de setembro de 2026
ENERGIA ELÉTRICA

Apagões deixam zona rural de Manaus até dez dias sem energia elétrica

Pelo menos 20 comunidades da zona rural de Manaus estão enfrentando problemas de falta de luz.
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Moradores de mais de 20 comunidades da zona rural de Manaus vêm sofrendo prejuízos por conta dos apagões na energia elétrica. Estrago de merendas escolares, medicamentos estragando nas unidades de saúde e a perda de cestas básicas das famílias estão entre as principais queixas.

Nas últimas semanas, os moradores da zona rural têm ficado até dez dias às escuras, sem resolução por parte da concessionária Amazonas Energia, dizem lideranças comunitárias.

Morador da comunidade Bela Vista do Jaraqui, o líder comunitário Daniel Araújo disse que a situação do fornecimento de luz na região se agravou acentuadamente nos últimos 12 dias. A comunidade que fica a cerca de 50 quilômetros da capital amazonense é habitada por 140 famílias que vivem, basicamente, do turismo.

“A oscilação e instabilidade acontecem desde 2018 quando o programa Luz Para Todos foi implantado. Não conseguimos passar cinco dias com energia desde então. A situação acaba causando inúmeros prejuízos aos moradores: perdas de alimentos e medicamentos, falta de água potável por causa da bomba do poço, cancelamento de pacotes turísticos dada à principal atividade da comunidade, impacto total no comércio e no dia a dia da comunidade, se não bastasse o forte calor e a estiagem severa que já nos afeta”, detalha Araújo.

Sem energia elétrica, a alternativa para a população é desembolsar para alimentar um gerador de energia ou recorrer às velas.

“A comunidade, infelizmente, tem apelado às velas, lamparinas, quem têm um motorzinho gerador de energia gasta no combustível gasolina ou diesel ao preço de R$8 um Litro, o que no mínimo gasta três litros por dia. Comprando ainda gelo da cidade, sendo encomendado dos barcos recreios ao preço de R$ 30. Nesta mesma situação, estão mais 21 comunidades do Rio Negro servidas pelo programa Luz Para Todos através da Amazonas Energia. Bom salientar que todos os meses, dia 3, 4 e 5 chegam as contas de energia, impreterivelmente”.

Na comunidade São João do Tupé, há 25 quilômetros de Manaus, também na margem esquerda do rio Negro, a líder da comunidade Cleiciane de Souza pontou que a falta de energia tem dificultado até o acesso a água potável.

“Isso acontece há muito tempo, mas desde outubro a situação piorou e tudo fica muito difícil sem energia por que também afeta a distribuição de água na vila. Quando liga para o órgão responsável, para fazer os registros de ocorrência, eles só falam que vão arrumar“, pontuou.

A líder conta que durante os dias sem eletricidade não tem como fazer nada, já que poucas pessoas têm o gerador de energia e outras não possuem condições para comprar combustível. Os moradores se unem para salvar o que podem mas mesmo assim, perdem comidas e medicamentos.

O comunitário Evandro Loureiro, líder há quatro anos da comunidade Baixote, que fica a cerca de 65 quilômetros do centro de Manaus, explicou que os moradores ficam de quatro a dez dias sem energia. Em algumas ocasiões, a eletricidade passa o dia sofrendo oscilações, em outras, os moradores ficam totalmente no escuro.

“É muito precária essa energia. Eu sou agente de saúde e vejo que tem pacientes que perdem medicamentos, principalmente, aqueles que precisam ficar no gelo. Mês passado tivemos que devolver muitos medicamentos que estragaram. Sem falar das escolas que perdem merenda e as crianças acabam ficando sem aula devido ao calor. Não tinha refrigeração antes e agora que colocaram não tem luz”.

Loureiro comenta que, durante um temporal naquela região, uma árvore caiu em cima da rede elétrica e uma casa, que se localiza em um lago próximo à comunidade, está há 11 dias sem luz.

“Já registrei ocorrência na empresa, mas até hoje a família continua sem energia. Tem muito mato no ramal que acaba encostando na rede e a empresa ainda não veio fazer a limpeza do local. Eu acredito que a nossa obrigação como consumidor é pagar mensalmente nossas faturas e aqui na minha comunidade todo mundo paga.”

Foto: Arquivo Pessoal

Moradores pedem socorro à ALEAM

Sem assistência da Amazonas Energia, os moradores apelaram à Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM) em busca de soluções para a situação de abandono.

“fala da joana darc”, disse a deputada estadual Joana Darc (União Brasil), durante pronunciamento na semana passada.

Para a deputada, chegaram denúncias de moradores e lideranças de comunidades no entorno do Pau-Rosa, da Estrada da Cooperativa, do Tarumã-Mirim e Rio Negro.

Em resposta aos questionados feitos pelo RealTime1, a concessionária Amazonas Energia, responsável pela distribuição de energia na cidade e nas zonas rurais, informou que irá apurar a situação enviando equipes ao local para verificar o ocorrido e solucionar no tempo mais breve possível.

A concessionária disse que, por conta da estiagem, a lancha que faz o serviço nas comunidades precisa ficar em um local distante, para chegar em algumas comunidades são de 1 à 2 horas andando no sol “carregando cabo, material e mais a escada que pesa aproximadamente 40kg. Hoje tem dois supervisores de campo mais três componentes da equipe da lancha 728 realizando serviços nessas áreas“, comentou a assessoria da empresa.

A concessionária disse, ainda, que a limpeza da rede foi realizada na quinta-feira (16/11) e que até hoje a energia seria normalizada. Sobre a denúncia dos moradores de que o problema se arrasta desde 2018, a empresa limitou-se a responder que está fazendo manutenções.

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