Uma nova animação lançada nesta semana explica o funcionamento do Sistema de Alertas Yanomami, ferramenta criada e operada por comunidades da Terra Indígena Yanomami para monitorar invasões, denunciar ameaças e proteger a vida em um dos territórios mais pressionados da Amazônia.
O projeto é uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), realizado pela Hutukara Associação Yanomami, Associação Wanasseduume Ye’kwana, Urihi Associação Yanomami e Instituto Socioambiental (ISA). Conta com financiamento da União Europeia, por meio do Departamento de Proteção Civil e Ajuda Humanitária (ECHO), e apoio institucional do Ministério dos Povos Indígenas.
A proposta busca ampliar a resiliência e fortalecer a autonomia das comunidades indígenas, integrando um sistema de alertas alinhado ao contexto e aos saberes tradicionais desses povos.
A animação é narrada por Morzaniel Iramari, cineasta e liderança Yanomami. Confira o vídeo no link: Sistema de Alertas Yanomami
Segundo a cineasta, a produção reforça o papel do sistema como estratégia comunitária:“O Sistema de Alertas Yanomami nos ajuda na proteção do nosso território e da nossa saúde”, ressalta Morzaniel em fala gravada em língua Yanomami.
Idealizado pelas lideranças indígenas, o sistema permite que monitores comunitários enviem alertas via formulário com fotos, vídeos, áudios e localização, inclusive offline.
As informações são validadas, organizadas em um painel público e encaminhadas a autoridades e parceiros e a ferramenta está disponível em quatro idiomas (Yanomami, Ye’kwana, Sanoma e Português).
Projeto do Sistema de Alertas
Desde setembro de 2023, quando foi implementado, o sistema emitiu 211 alertas, sendo mais de dois terços relacionados à presença de garimpeiros na Terra Indígena Yanomami.
Além disso, há registros de surtos de malária, abandono de postos de saúde, falta de medicamentos e doenças respiratórias, reforçando que o sistema também é uma estratégia vital de cuidado e saúde coletiva.
A direção e animação da obra são de João Maia, com produção da Cama Leão em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA). A seguir, imagem de Angela Yanomami registrada por Victor Moriyama/ISA.


O vídeo foi apresentado pela primeira vez para os Yanomami em uma oficina realizada na comunidade Xihopi, no Demini, na segunda quinzena de maio.
Da ferramenta ao vídeo de animação
Desde o início do funcionamento da ferramenta, 211 formulários foram preenchidos e encaminhados aos órgãos públicos competentes, sendo 67,2% relacionados a alertas territoriais, geralmente ligados a invasões.
Somente nos primeiros seis meses de 2025, foram registrados 40 novos alertas, dos quais 77% tratam de invasões. Os alertas de saúde correspondem a 21,8% do total, enquanto os ambientais somam 10,9%.
“Os alertas principais continuam sendo de invasões, oriundos das regiões onde ainda há movimentação de garimpeiros ilegais, como os rios Apiaú e Uraricoera”, contou Estêvão Senra.


Uma versão resumida, com pouco mais de um minuto de duração, também está disponível no Instagram, TikTok e LinkedIn. As duas versões são narradas por Morzaniel em Yanomami e contam com legendas em português, espanhol e inglês.
Como é o Sistema de Alertas na prática?
Por meio de um formulário, os monitores das comunidades podem anexar fotos, vídeos, áudios, pontos de localização com coordenadas geográficas e relatos.
Os envios podem ser feitos offline e incluídos nos dispositivos quando tiver conexão. A fim de garantir o acesso, a ferramenta disponibiliza as opções de idioma em Yanomami, Ye’kwana, Sanoma e Português.
O funcionamento é simples:
- Uma vez que o sistema recebe a denúncia, operadores do sistema qualificam as informações para validar os relatos, que em seguida ficarão expostos em um painel virtual e público para que autoridades, instituições parceiras e a imprensa possam ter ciência de qualquer anormalidade que ameace o território.
A iniciativa se consolidou como uma resposta direta à crise humanitária e agora ganha força como modelo para outros povos indígenas e territórios ameaçados.
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