O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta terça-feira (21), o embaixador André Corrêa do Lago como presidente da 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudança do Clima (COP30), que ocorrerá em Belém do Pará, em novembro de 2025.
Corrêa do Lago, diplomata com longa trajetória em negociações climáticas, terá a missão de fortalecer os compromissos internacionais para limitar o aquecimento global a 1,5°C, conforme o Acordo de Paris, e garantir que a conferência valorize as vozes das populações mais vulneráveis.
Bacharel em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Corrêa do Lago é um dos diplomatas brasileiros mais experientes em negociações climáticas.
Ele foi negociador-chefe do Brasil em temas de mudanças climáticas entre 2011 e 2013, incluindo a Rio+20, e atualmente é secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente no Ministério das Relações Exteriores. Sua nomeação reflete a prioridade do Brasil em liderar as discussões globais sobre a crise climática.
A COP30 será realizada em um contexto de emergência climática global. Em 2024, o mundo atingiu o limite de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, provocando eventos climáticos extremos que geraram prejuízos de US$ 229 bilhões e deixaram mais de dois mil mortos. No Brasil, secas e incêndios atingiram a Amazônia, enquanto chuvas severas impactaram o Rio Grande do Sul.
Como presidente da COP30, Corrêa do Lago precisará garantir que o evento promova acordos concretos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Entre os principais desafios estão:
- Aumentar a ambição das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) para limitar o aquecimento global;
- Promover uma transição energética justa, reduzindo o uso de combustíveis fósseis e investindo em fontes renováveis;
- Concluir as negociações sobre a Meta Global de Adaptação, com atenção especial às populações mais vulneráveis, como indígenas, quilombolas e comunidades periféricas;
- Garantir financiamento climático suficiente para medidas de adaptação e compensação de perdas e danos.
A Rota Baku-Belém, proposta para mobilizar recursos financeiros para o clima, também será um tema central das discussões, visando atender às necessidades de países menos desenvolvidos e insulares que enfrentam os piores impactos das mudanças climáticas.
Leia mais: