quinta-feira, 1 de outubro de 2026

AM tem queda na cobertura vacinal, mas está acima da média nacional

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Vacina no combate a tuberculose. (Foto/ Divulgação)

O Amazonas fechou o ano de 2022 com cobertura vacinal de 70,99%, acima da média nacional, que foi de 67,94% de acordo com dados do Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), disponíveis no DataSUS. Os dados englobam treze diferentes vacinas que compõem o calendário de imunização.

Contudo, o percentual está abaixo nos níveis pré-pandêmicos – em 2019, por exemplo, o índice de cobertura registrado foi de 79,80%.

As pior cobertura ficou com o município de Juruá, apenas 21,59%. Outros 13 municípios tiveram cobertura abaixo de 50%, entre eles São Gabriel da Cachoeira (34,04%), Atalaia do Norte (45,23%) e Boca do Acre (49,96%).

As melhores posições ficaram com Urucurituba, Itapiranga e Silves, que vacinaram mais de 100% do público-alvo das vacinas.

A capital Manaus encerrou o ano passado com 79,91% de cobertura vacinal. Veja a tabela na íntegra:

MunicípioCobertura vacinal %
AMAZONAS – TOTAL70,99
JURUÁ21,59
SÃO PAULO DE OLIVENÇA25,35
NOVA OLINDA DO NORTE26,19
BARCELOS28,47
JUTAÍ28,57
BENJAMIN CONSTANT30,78
SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA34,04
PAUINI39,58
MARAÃ41,53
IPIXUNA42,31
SANTA ISABEL DO RIO NEGRO44,26
ATALAIA DO NORTE45,23
NOVO AIRÃO48,15
BOCA DO ACRE49,96
BARREIRINHA52,14
TONANTINS52,47
COARI52,81
GUAJARÁ54,02
TABATINGA55,63
MANACAPURU56,60
EIRUNEPÉ59,86
NOVO ARIPUANÃ60,63
CARAUARI61,89
ALVARÃES62,44
CANUTAMA62,58
ANORI62,75
FONTE BOA64,23
BERURI65,48
PRESIDENTE FIGUEIREDO66,37
BORBA66,44
MAUÉS66,64
AUTAZES66,70
ITAMARATI68,21
MANAQUIRI68,30
UARINI68,42
LÁBREA69,78
RIO PRETO DA EVA70,79
ANAMÃ71,23
JAPURÁ71,31
IRANDUBA71,76
ENVIRA72,82
CAREIRO72,93
CAAPIRANGA73,45
NHAMUNDÁ74,62
ITACOATIARA74,69
SANTO ANTÔNIO DO IÇÁ74,93
CODAJÁS76,01
PARINTINS76,16
TAPAUÁ76,67
MANICORÉ78,67
SÃO SEBASTIÃO DO UATUMÃ79,21
MANAUS79,91
URUCARÁ82,89
HUMAITÁ84,62
TEFÉ85,86
APUÍ89,17
AMATURÁ93,98
BOA VISTA DO RAMOS94,09
CAREIRO DA VÁRZEA94,45
SILVES100,87
ITAPIRANGA104,18
URUCURITUBA107,88
Fonte: SI-PNI/DataSUS

No Amazonas, as coberturas vacinais monitoradas pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), vinculada à Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), são as destinadas a menores de 2 anos, conforme diretrizes do Ministério da Saúde.

Os imunizantes que se encaixam nessa categoria, de acordo com a FVS-RCP, são:

  • BCG (117%)¹
  • Rotavírus (71,9%)
  • Hepatite B (78,6%)
  • Pneumocócica (86,8%)
  • Meningo C (80,4%)
  • Pentavalente (78,6%)
  • Poliomielite (77,4%)
  • Tríplice Viral (78,9%)
  • Tetra viral (12,6%)²
  • Hepatite A (71,4%)
  • Varicela (60,4%)
  • Febre Amarela (62,1%)

¹ A população vacinada foi maior do que a estimada pelo Ministério da Saúde.

² A vacina está sendo administrada como opção de segunda dose da Tríplice Viral

Entre as vacinas, segundo a FVS-RCP, as coberturas que mais preocupam o Amazonas são as que estão abaixo de 50% “porque é ampliada a vulnerabilidade da população para doenças imunopreveníveis”.

É o caso da cobertura contra a Poliomielite, doença viral causadora da paralisia infantil – que havia sido erradicada das Américas em 1991, mas que voltou a aparecer em março deste ano, quando um caso foi registrado no Peru, a 500 quilômetros da fronteira com o Brasil, pelo Amazonas.

Embora esteja acima de 50% no computo geral do Estado, a cobertura vacinal da “pólio” está bem abaixo disso em alguns municípios como Jutaí (31,50%), Benjamin Constant (31,30%), São Gabriel da Cachoeira (30,77%), Pauini (30,06%), Barcelos (27,77%), São Paulo de Olivença (27,20%), Nova Olinda do Norte (23,83%) e Juruá com o pior resultado, 20,89%.

O que explica a queda da cobertura?

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), as coberturas vacinais vêm caindo em todo o mundo, inclusive no Brasil, desde 2016. Com esse cenário, em 2019, a OMS definiu a hesitação vacinal como um dos 10 maiores problemas de saúde pública.

A pandemia Covid-19 agravou as baixas coberturas, uma vez que as recomendações das autoridades sanitárias de distanciamento social e outras medidas não farmacológicas afastaram a população das unidades de saúde para se vacinarem.

Além da crise pandêmica, há fatores sociais, culturais e, principalmente, político-ideológicos que contribuíram para a queda da cobertura vacinal no Brasil, dizem estudiosos.

Em nota publicada em 2022, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) aponta como outras causas para a queda na vacinação:

  • falta de informação dos profissionais de saúde acerca do calendário vacinal;
  • falta de informação da população;
  • pouca confiança em governantes, instituições e profissionais de saúde;
  • horário limitado de funcionamento dos postos de saúde;
  • desinformação;
  • comunicação falha;
  • e crescimento do movimento antivacina

Os cientistas alertam que é necessário buscar alternativas para reverter as baixas coberturas vacinais, sob pena da volta das inúmeras doenças imunopreveníveis. O sarampo, por exemplo, voltou a circular na última década na América do Sul e está presente em todas as regiões do Brasil.

Medidas tomadas no Amazonas

Em nota, a FVS-RCP informou quem, para ampliar as coberturas vacinais no Amazonas, monitora as ações de vacinação nos municípios, realiza visitas técnicas em cidades com baixas coberturas com treinamento em serviço, atualização de profissionais de saúde que apoiam as ações de imunização, orientações às coordenações municipais de imunização direcionadas à manutenção da qualidade das vacinas ofertas à população, além de orientações para manutenção de estoque suficiente para atender todas as salas de vacinas.

“Em 2023, a FVS-RCP mantém suporte direto aos municípios com a realização da oficina de microplanejamento para ampliar as coberturas vacinais no estado, propondo ações práticas a partir dos conhecimentos apreendidos durante as capacitações. A primeira etapa desse treinamento ocorreu, em maio, em parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), e segue sendo realizado pela FVS-RCP com os municípios”, destaca a fundação.

“Em todas as ações de suporte aos municípios, é reforçada a importância da parceria entre as coordenações municipais e sociedade civil, principalmente com a coordenação de Atenção Primária à Saúde que elabora e realiza as estratégias para o alcance de cobertura vacinal em parceria com o Programa Municipal de Imunização”, acrescenta.

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