segunda-feira, 15 de julho de 2024

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PEQUENOS GÊNIOS

AM tem 63 alunos superdotados matriculados na rede estadual

Habilidades do superdotado ficam evidentes logo na infância, mas escolas são ambientes de desafio.
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O pequeno gênio Luan Gabriel (Foto: Euzivaldo Queiroz - Seduc-AM)

Você já deve ter conhecido, convivido ou até mesmo criado uma criança que demonstra ser diferente das demais por uma grande habilidade. Aquelas que são bem acima da média – seja pela facilidade em resolver cálculos e desafios, muita criatividade ou vocabulário amplo – são conhecidas como “superdotadas”.

O talento do superdotado geralmente fica evidente logo no período da infância. Essas habilidades incluem aptidão para atividades intelectuais, artísticas ou esportivas que parecem ter surgido de uma forma inexplicável.

É na escola que surgem alguns desafios e onde a maioria dos casos acaba sendo identificado.

No Brasil, segundo dados do Censo Escolar de 2020, havia 24.424 estudantes com perfil de altas habilidades/superdotação matriculados.

Na rede estadual de ensino do Amazonas, segundo informou a Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc-AM), atualmente há 63 estudantes com altas habilidades.

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Um desses alunos ficou famoso, neste ano, ao participar do quadro Pequenos Gênios, do programa Domingão com Huck, da TV Globo. Luan Gabriel Gama, de 10 anos, aprendeu a ler aos três anos e se destaca em Matemática, Raciocínio Lógico, Português e Geografia.

Aluno da Escola Estadual Libertador Simon Bolívar, localizada na Zona Centro-Sul de Manaus, ele virou garoto propaganda do Governo do Amazonas após o feito.

Segundo a mãe de Luan, Lara Gama, aos quatro anos de idade, ele já realizava operações de matemática, como multiplicação, divisão, cálculos com potência e raiz quadrada.

“Quando ele tinha quando anos, a pedagoga da escola, à época, conheceu o Luan, por meio da minha irmã, que estudava na escola. Conversando com ele, a pedagoga percebeu que ele tinha, segundo ela, altas habilidades próximas à superdotação”, disse.

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Lara Gama e Luan Gabriel. Foto: Euzivaldo Queiroz/Seduc-AM

Luan ingressou na escola Simon Bolívar no 1º ano do Ensino Fundamental e começou a se desenvolver nas questões motoras e na escrita. No 2º ano, vendo o desempenho do menino, tanto a professora, quanto a pedagoga recomendaram que ele avançasse para a próxima série, mas devido à pandemia de Covid-19 não foi possível.

Atualmente, o aluno está no 5º ano do Ensino Fundamental. Entre as principais habilidades dele destacam-se:

  • o conhecimento das bandeiras e localização de todos os países do mundo,
  • o domínio de cálculos matemáticos,
  • além de soletrar palavras, de alto nível de dificuldade, de trás para frente.

Em agosto, Luan foi homenageado pela Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), durante uma sessão especial.

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Aluno foi homenageado na Assembleia. Foto: Hudson Fonseca

E o que significa ser uma pessoa com altas habilidades/superdotação?

De acordo com o Ministério da Educação (MEC), pessoas com altas habilidades/superdotação demonstram elevado potencial intelectual, acadêmico, de liderança, psicomotor e artístico, de forma isolada ou combinada, além de apresentarem grande criatividade e envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que 5% da população têm algum tipo de alta habilidade ou superdotação. Se forem considerados os mais de 47 milhões de alunos da educação básica (Censo Escolar, Inep 2020) cerca de 2,3 milhões de estudantes devem compor esse grupo, mas nem todos são identificados. Assim, há uma subnotificação de casos.

Há atendimento especializado para superdotados nas escolas?

Na rede pública, há uma política específica da Educação Especial para estudantes que com essas características, conforme a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da educação brasileira.

A educação especial é uma modalidade oferecida preferencialmente na rede regular de ensino para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação. Por meio de recursos e serviços especializados, a educação especial promove ações que visam a atender às demandas de seu público, bem como apoiar os sistemas de ensino no atendimento educacional especializado. 

Como a superdotação é identificada?

As altas habilidades ou superdotação são evidenciadas em qualquer lugar, mas, no caso dos estudantes que apresentam características na escola, segundo o MEC, são consideradas suas habilidades acima da média, o envolvimento com a tarefa, sua criatividade, o ritmo de aprendizagem, a qualidade dos produtos que apresentam para evidenciar a aprendizagem, assim como o modo como se relacionam interpessoalmente.

O processo de identificação geralmente é feito pela escola, contando com a participação dos técnicos da educação especial, que atuam na sala de recursos, dos demais profissionais da escola, das equipes multiprofissionais e dos técnicos do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), quando o sistema de ensino tem a disponibilidade desse núcleo.

O processo começa com a indicação das altas habilidades ou superdotação do aluno, quando são percebidas pela família, pelos professores, pelos colegas ou pelo próprio estudante.

A avaliação é feita por equipe multidisciplinar e compreende aspectos cognitivos, acadêmicos, sociais e emocionais, entre outros. O processo de identificação tem duração variável, podendo chegar até mesmo a um ano; ao final, é emitido um relatório comprovando a identificação e referenciando as áreas de altas habilidades ou superdotação do estudante.

Segundo informou a pasta, “espera-se que o estudante seja inserido em programas oferecidos pelo próprio sistema de ensino, como o atendimento em sala de recursos ou mesmo no Núcleo de Altas Habilidades. Há também localidades que dispõem de programas oferecidos por iniciativa da sociedade civil ou por instituições de ensino superior, para atendimento a esse público”. 

A família pode buscar fora da escola o processo de identificação por meio de profissionais especializados. Ao ser identificado, o estudante deverá receber o acompanhamento com recursos e serviços de educação especial, a fim de que o seu potencial seja valorizado e para que não se sinta desmotivado em sua trajetória acadêmica. 

Como funciona a educação especial para superdotados no Amazonas?

Ao RealTime1, a Seduc-AM informou que segue a legislação brasileira e a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva.

A pasta destacou que aderiu à maior política pública de atendimento a estudantes com altas habilidades/superdotação em 2006 com o início das atividades do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação (NAAH/S), que é um projeto previsto pelo Plano Nacional de Educação de 2004, proposto para todo território nacional, sendo uma parceria do MEC, Unesco e as secretarias de Educação dos estados brasileiros, que permanece vigente há 18 anos.

No Amazonas, o NAAH/S faz parte de um dos serviços da Escola de Atendimento Específico Mayara Redman Abdel Aziz. O projeto contempla a identificação multidisciplinar e atendimento dos estudantes; formação para os professores e orientação às famílias.

Além de identificar, segundo a Seduc-AM, o NAAH/S Amazonas oferece Atendimento Educacional Especializado (AEE) no contraturno do horário de matrícula para todos os estudantes identificados que puderem participar das oficinas de enriquecimento curricular, para a estimulação de seus potenciais, com os profissionais do núcleo nas diferentes áreas do conhecimento ou pelos parceiros do núcleo, além do acompanhamento do setor de psicologia.

A reportagem tentou saber como funciona o atendimento na rede de ensino da capital, mas a Secretaria Municipal de Educação (Semed Manaus) não respondeu aos questionamentos enviados.

Na pauta de especialistas do Amazonas

Em agosto, mês que se comemora Dia Internacional da Superdotação  (dia 10), dois seminários inéditos discutiram o tema em Manaus. Um foi promovido pela própria Seduc-AM no dia 10 e foi realizado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

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