A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) declarou situação crítica de escassez hídrica nas bacias dos rios Juruá, Purus e seus afluentes — Acre e Iaco —, todos localizados na Amazônia.
A decisão, aprovada e publicada no Diário Oficial da União, reflete a gravidade do cenário: os níveis dos rios estão muito abaixo da média para o período.
As bacias enfrentam chuvas abaixo do esperado desde 2023, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A situação preocupa porque o período atual, de vazante — fase natural de redução do volume das águas entre junho e novembro —, deveria apresentar níveis mais altos.
No entanto, o cenário é diferente: a redução está muito além do previsto, acentuando o risco de impactos socioeconômicos e ambientais.
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Medidas para enfrentar a crise
A resolução da ANA, válida até 31 de outubro, tem como objetivo mapear os efeitos da baixa nos rios, propor medidas de mitigação e permitir que empresas de saneamento adotem tarifas especiais para cobrir custos extras.
Além disso, o documento serve de alerta para usuários do sistema, incentivando o uso racional da água.
Outro ponto crucial é a possibilidade de agilizar o reconhecimento, pelo governo federal, do estado de calamidade pública em municípios afetados. Isso facilita a liberação de recursos e o envio de auxílio emergencial às áreas mais atingidas.
Previsões do Inpe e do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indicam que o quadro tende a se agravar.
Até outubro, os volumes de chuva devem permanecer abaixo da média, o que pode prolongar o período crítico e, inclusive, levar à prorrogação da medida.
Enquanto isso, comunidades ribeirinhas, agricultores e populações que dependem diretamente dos rios já sentem os efeitos.
O transporte fluvial se torna cada vez mais difícil, e a redução da vazão ameaça atividades essenciais, como o abastecimento de água e a pesca, aumentando a pressão sobre o governo e os órgãos de controle ambiental.
Se as previsões se confirmarem, o impacto pode superar o registrado em 2023, quando Manaus enfrentou a maior seca em 121 anos.
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