terça-feira, 22 de setembro de 2026

A Revanche da Telona: Por que a Smart TV virou o novo "crush" dos brasileiros

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Considerada ultrapassada por muitos nos últimos anos, a televisão vive um novo ciclo no Brasil. Em 2026, a smart TV se consolida como principal plataforma de consumo de vídeo no país, impulsionando mudanças no comportamento do público e no mercado publicitário.

Durante o trajeto diário de ônibus ou metrô, a cena é recorrente: passageiros com a cabeça baixa, imersos em telas de smartphones, deslizando o dedo em um fluxo interminável de vídeos curtos. O chamado scroll mode se tornou um hábito dominante na vida urbana. No entanto, ao chegar em casa, um movimento inverso vem ganhando força: cada vez mais brasileiros estão deixando o celular de lado para voltar a olhar para a tela maior da sala.

Longe de desaparecer, a televisão passou por uma transformação profunda. Tornou-se inteligente, conectada e, novamente, central na rotina doméstica. A smart TV deixou de ser apenas um aparelho de transmissão para se tornar um verdadeiro hub de entretenimento, informação e consumo.

Da programação fixa à escolha sob demanda

O antigo hábito de “assistir ao que está passando” foi substituído por uma experiência guiada pela escolha. Hoje, a smart TV funciona como porta de entrada para múltiplos universos digitais — do streaming de filmes e séries em alta resolução a jogos em nuvem, transmissões esportivas ao vivo e plataformas de vídeo sob demanda.

Segundo dados da Comscore, 64% da população digital brasileira já acessa conteúdo por meio da televisão conectada. O número evidencia uma mudança significativa no comportamento do público, que passou a enxergar a TV não apenas como um complemento, mas como um dos principais pontos de acesso à internet.

Além da diversidade de conteúdo, a televisão oferece um diferencial cada vez mais valorizado: a imersão. Ao contrário do smartphone, marcado por notificações constantes e interrupções, a experiência na TV favorece períodos mais longos de atenção e engajamento, transformando o momento de assistir em uma pausa efetiva na rotina digital acelerada.

Publicidade acompanha o movimento

A migração da audiência para a smart TV não passou despercebida pelo mercado publicitário. As projeções para 2026 indicam que os investimentos em anúncios em TVs conectadas (CTV) no Brasil devem alcançar US$ 169 milhões, com expectativa de crescimento acelerado até 2029.

O interesse das marcas se explica pela combinação entre alcance e precisão. A CTV reúne o impacto visual da televisão tradicional com a capacidade de segmentação típica do ambiente digital. Com base em dados de comportamento e preferências, os anúncios podem ser direcionados de forma personalizada, substituindo campanhas genéricas por estratégias mais eficientes e contextualizadas.

O desafio da mensuração de audiência

Apesar do avanço tecnológico, a indústria ainda enfrenta um obstáculo relevante: a medição precisa da audiência. Diferentemente do ambiente móvel, onde cada interação gera dados detalhados, a televisão impõe desafios adicionais. Ainda não é simples identificar quantas pessoas estão assistindo, quem são elas ou se o conteúdo está sendo efetivamente consumido.

A busca por métricas mais confiáveis é apontada como uma das principais agendas do setor para os próximos anos. O objetivo é ir além do simples registro de aparelhos ligados e avançar para modelos que reflitam o comportamento real do público na sala de estar.

Um novo ciclo para a televisão

Ao longo de décadas, a televisão atravessou transformações profundas e sobreviveu a diferentes ondas tecnológicas. Do rádio ao videocassete, do DVD ao streaming, o meio se reinventou repetidas vezes. Agora, em um cenário marcado pela fragmentação das audiências e pelo consumo individualizado de conteúdo, a smart TV ressurge como um espaço de experiência coletiva e de alta qualidade.

Mais do que resistir à concorrência das redes sociais e dos dispositivos móveis, a televisão encontrou um novo papel. Conectada, personalizada e integrada ao ecossistema digital, ela volta a ocupar uma posição central — tanto nas casas quanto nas estratégias de investimento e comunicação.

A TV não é mais a mesma. E é justamente essa transformação que explica por que ela voltou a ser protagonista.

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