Uma ação de fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) deixou operadores de passeios turísticos apreensivos e em dúvidas, pois o órgão está usando a lei ambiental para proibir o uso de imagens e fotos de animais na captação de turistas.
O órgão ambiental esclarece que não é proibido o uso de fotos e imagens, mas elas precisam ser de animais cuja situação é regular e fiscalizada pelos órgãos ambientais, seja o Ibama ou o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
No geral, o Ibama afirma que esta situação de irregularidade é a regra do setor e não exceção. “Os animais são oferecidos aos turistas, que geralmente pagam para tirar fotos manipulando-os de forma indevida, caracterizando uma forma de abuso”, explicou o Superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo.
Fotos de animais em destaque
O presidente da Associação Brasileira dos Jornalistas de Turismo (Abrajet), Paulo Roberto Pereira, viu com desconfiança a atitude de proibir ou coibir o uso de imagens de animais silvestres, pois eles estão na natureza para serem vistos, apreciados e assim preservados.
“Essa decisão precisa ser muito bem estudada e os órgãos precisam legislar com muito cuidado, pois uma imagem não trará dano para o animal. Ele pode ser fotografado e seguir livre na natureza. Me pareceu precipitada essa decisão, acho que é preciso um estudo detalhado para mostrar que se há risco“, comentou.
A Associação dos Operadores Turísticos do Porto de Manaus (AM) começou a botar em prática, nesta semana, a regra estabelecida em uma reunião com os fiscais, mas sem se identificar, eles disseram que vão ter que gastar conversa para convencer os turistas a conhecerem um local que eles não podem vislumbrar em fotos ou na internet.
O presidente da Associação Brasileira de Agentes de Viagens, Jaime Mendonça, disse que a entidade defende o turismo de natureza e o ecoturismo de forma contemplativa, mas reconheceu que há atuação de alguns agentes que pode ser considerada predatória.
“É um turismo predador que não utiliza apenas as imagens, mas sim mantém animais em cativeiro e exploram eles economicamente e encurtam a vida destes animais. Contra esses, somos a favor da autuação (do Ibama)“, resumiu Mendonça.