quarta-feira, 23 de setembro de 2026

MPF vai apurar desligamento de energia para forçar desocupação de prédio

Mais de 50 famílias ocupam edifício Alcir Matos, no Centro de Manaus, reconhecido como de interesse social.
COMPARTILHE
O edifício Alcir Matos, localizado na Rua Quintino Bocaiúva, no Centro de Manaus (reprodução)

A sub-procuradora geral da República Lindôra Araújo encaminhou à Procuradoria da República do Amazonas (PR-AM) uma denúncia dando conta de que a energia elétrica do edifício Alcir Matos, no Centro de Manaus, vem sendo desligada como forma de forçar as famílias que ocupam o prédio a deixarem o local.

A denúncia com pedido de providências foi apresentada por meio de representação à 1ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal (1ª CCR/MPF) pela Ouvidoria Nacional do Direitos Humanos.

O prédio já foi sede do Ministério da Fazenda, do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a União Nacional por Moradia Popular (UNMP), 52 famílias moram no edifício, na rua Quintino Bocaiúva.

A ocupação iniciou em 2016, como resultado da desocupação da Cidade das Luzes.

A Secretaria do Patrimônio da União (SPU), então, aprovou o prédio como Habitação de Interesse Social

A Justiça Federal reconheceu o direito de posse dos ocupantes, considerando que a própria SPU já havia declarado o imóvel como de interesse do serviço público para o Programa Minha Casa Minha Vida e concessão mínima de 73 unidades habitacionais.

“Os moradores do prédio Alcir Matos procuraram abrigo naquele imóvel por não terem condições financeiras que lhes garantam uma moradia digna, o que é fruto principalmente da ausência de políticas públicas voltadas para tal necessidade”, destacaram o MPF e a Defensoria Pública da União (DPU) em uma ação em que pediam a reforma do imóvel.

Segundo a UNMP, desde agosto de 2020, a concessionária de energia elétrica vem realizando ameaças de despejo contra os moradores.

COMPARTILHE