quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Auditores da Receita chamam incentivos da Zona Franca de 'privilégios'

Associação de auditores reforça discurso anti-ZFM e desconsidera a geração de empregos e a preservação ambiental.
COMPARTILHE
Cerca de 170 produtos da Zona Franca estão fora do corte do IPI (Foto: Reprodução)
Cerca de 170 produtos da Zona Franca estão fora do corte do IPI (Foto: Reprodução)

A poucos dias do Grupo de Trabalho (GT) da Reforma Tributária apresentar seu relatório, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco) publicou um levantamento sobre renúncia fiscal no Brasil no qual classifica os benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus (ZFM) como “privilégios”.

O resultado do balanço foi publicado pelo UOL nesta quarta-feira (31).

Os auditores também consideram como privilégios, entre outras coisas, a desoneração da cesta básica e a imunidade tributária de entidades filantrópicas.

O balanço mostra que, ao todo, ao longo de 2023, o governo federal vai abrir mão de arrecadar R$ 641 bilhões em impostos em renúncias fiscais. Deste total, R$ 440 bilhões são considerados “privilégios tributários”.

Veja o ranking:

Benefício fiscalValor previsto
Isenção dos lucros e dividendos distribuídos por pessoa jurídicaR$ 74,6 bilhões
Ausência do Imposto sobre Grandes FortunasR$ 73,4 bilhões
Zona Franca de ManausR$ 54,6 bilhões
Programas de parcelamentos especiaisR$ 37,3 bilhões
Agricultura e Agroindústria – Desoneração Cesta BásicaR$ 24,6 bilhões
Simples NacionalR$ 21,6 bilhões
Entidades FilantrópicasR$ 14,1 bilhões
Títulos de Crédito – Setor Imobiliário e do AgronegócioR$ 13,9 bilhões
Exportação da Produção RuralR$ 10 bilhões
Desoneração da folha de saláriosR$ 9,3 bilhões

Nota da redação

Ao chamar de “privilégios” os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus, o levantamento desconsidera a geração de empregos diretos e indiretos – cerca de 500 mil, assim como os efeitos secundários do modelo de desenvolvimento regional, como a preservação ambiental que ele promove.

No atual contexto, em que a política nacional reforma o sistema tributário, o levantamento burocrático da Unafisco reforça o discurso contra a ZFM, propagado por alguns parlamentares e empresários do centro-sul brasileiro, região que conta com, aí sim, privilégios de toda sorte, como, por exemplo, logísticos.

Leia mais:

COMPARTILHE