Mais duas pessoas com problemas de surdez ativaram ouvido biônico no Hospital Delphina Aziz, informou a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). A medida é possível através do implante coclear, procedimento que a unidade de saúde começou a fazer este ano, de forma pioneira na rede pública.
As pacientes que tiveram o ouvido biônico ativado são duas mulheres. Manuela, de 4 anos, e a estudante Milena Gabrielly, 20 anos. Além delas, outras três pessoas fizeram o procedimento custeado pelo Governo do Estado. Mais dois estão programados para o próximo mês.
A fonoaudióloga responsável pela ativação do aparelho, Uila Hoffmann, comentou sobre a importância de seguir rigorosamente todas as etapas do tratamento para um resultado positivo.
“Depois da ativação, o processo é o de uma jornada. Elas vão fazer acompanhamento através de um mapeamento, que é um trabalho de melhoria de sons para elas terem essa percepção sonora e tratamento fonoaudiológico”, destacou.
Emoção pós-implante coclear
A pequena Manuela, de 4 anos, foi a primeira a entrar no consultório e receber a ativação do ouvido biônico. Bastante emocionada, a mãe acompanhou tudo de perto e explicou a sensação de perceber que a filha estava escutando pela primeira vez.
“Foi emocionante. Já chorei tanto, que agora não consigo mais chorar. Foi um momento de muita felicidade perceber que minha filha estava ouvindo. ‘Mamãe’ é a primeira palavra que eu quero que ela fale”, falou Suyan Silva, mãe da paciente.
Estudante de Arquitetura e Urbanismo, a Milena Gabrielly, 20, foi outra paciente que também recebeu a ativação do ouvido biônico. O momento para a jovem foi de muita emoção e de garantia de um futuro mais independente, principalmente na faculdade.
“Fiquei emocionada. Agora eu estou ouvindo e vou ouvir os professores da faculdade, vou entender tudo melhor. Quero mostrar para os professores que quando eles falarem, eu vou escutar”, falou.
A mãe da estudante, Marlen Joyce, 39, também acompanhou o procedimento. Para ela, conseguir fazer o implante coclear pela rede pública de saúde foi uma grande conquista.
“Uma luz que surgiu no fim do túnel e um avanço para o nosso sistema público de saúde. Muitas famílias e pacientes não têm condições financeiras para pagar o procedimento. É uma grande vitória”, comemorou.
O que é o implante coclear
A cirurgia consiste em uma incisão atrás da orelha para acessar a cóclea, porção da orelha interna responsável pela audição. Por uma pequena abertura, é implantado um feixe de eletrodos junto ao nervo auditivo e fixado um receptor (antena) no crânio do paciente. Como a cóclea não varia de tamanho ao longo da vida, não será preciso trocar a unidade interna.
Os implantes cocleares são indicados para pessoas com perda auditiva neurossensorial severa à profunda.
A prioridade para a realização de um implante coclear é para pacientes que nascem com perda total de audição, e que tenham até quatro anos de idade para que seja aproveitada a janela de aquisição de linguagem oral, que é desenvolvida neste período da vida.
Nos casos de pacientes com idade adulta, não há uma idade limite para a recomendação do procedimento, desde que sejam avaliados e se encaixem nos padrões previamente analisados por médicos especialistas.
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