Os três primeiros meses de operação privada da Refinaria da Amazônia (Ream) apresentaram queda no volume de refino de petróleo em relação ao mesmo período de 2022, quando a unidade ainda pertencia a Petrobras e se chamava Refinaria de Manaus Isaac Benayon Sabbá (Reman).
De acordo com relatórios da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em janeiro, a Ream refinou quase 50 mil barris a menos que em janeiro do ano anterior (888,8 mil contra 936,3 mil), uma queda de 5,1%.
O mês de fevereiro foi pior ainda, com um refino total de 682.856 barris contra 841.877 no mesmo mês de 2022, queda de expressivos 11,6%.
O dado mais atualizado da ANP, constante do relatório de 28 de abril, mostra que em março deste ano o volume de Petróleo refinado pela Ream teve uma boa crescida, chegando a 929.579 mil barris, contra 942.334 mil barris em março de 2022.
A queda em março foi de 8,1%. O relatório mostra também que a maior parte do petróleo refinado em Manaus tinha origem nacional.
Vendas na ponta
A diminuição do refino parece, pela análise dos dados da ANP, ter se refletido na comercialização de derivados de petróleo pelas distribuidoras de petróleo que atuam no Amazonas.
Elas registraram também queda de vendas em janeiro (-6,8%) e fevereiro (-1,9), em comparação com 2022, e uma leve subida de 0,7% em março (em comparação com 2022), quando a Ream “deu um gás” no volume de produção dela.
Consequência no preço
A redução no volume de refino de petróleo e na comercialização de derivados tiveram consequência nos preços, tanto que de dezembro, quando o grupo Atem assumiu a operação e rebatizou a refinaria, até março o preço dos combustíveis em Manaus registrou um aumento de 11%, cinco vezes a média nacional conforme a ANP.
“Não tem mágica nessa conta, menor oferta gera maior procura e maior procura gera aumento de preço. É simples assim a economia e sua lei da oferta e procura”, resume o economista Sérgio Gonçalves, destacando que este não é o único fator que mexeu com o preço dos combustíveis, também afetado pela reoneração do ICMS.
A expectativa do mercado local agora é por redução prometida pela Petrobras, que nesta terça-feira (16) acabou com a política de preço de petróleo baseada na paridade com os preços praticados no mercado internacional e, portanto, suscetíveis a fatores como a guerra da Ucrânia ou tensões nos mercados produtores do oriente médio.
O RealTime1 pediu um posicionamento da Ream sobre estes números contidos no relatório da ANP, mas até o momento não recebeu resposta. Assim que tivermos esse posicionamento este texto será atualizado.
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