Com o retorno do Programa Mais Médicos, oferecendo 475 vagas para especialistas no Amazonas, sendo Manaus a capital com mais vagas em todo o Brasil, o Médico e professor universitário, Alcindo Antônio Ferla reforçou a importância da atuação de médicos intercambistas nas comunidades indígenas e áreas remotas do estado.
Alcindo atuou na coordenação do observatório Mais Médicos e é autor do livro Mais Médicos na Amazônia.
Nos últimos quatro anos, o Amazonas apresentou uma redução gradativa de profissionais, reflexo da saída de médicos cubanos, responsáveis por atender comunidades indígenas e municípios distante no estado, afirmou o médico e professor universitário.
Alcindo Antônio, que esteve em aldeias indígenas e viu de perto a atuação dos intercambistas, comenta que graças aos trabalhos dos profissionais, vidas de indígenas e comunitários foram salvas.
“Lembro que durante o estudo em uma aldeia, vila Betânia, nós tivemos durante a madrugada o atendimento de uma menina de uma aldeia bastante distante, quatro horas de deslocamento em uma rabeta e que tinha um tronco de árvore entalado no abdômen. Ela teve uma queda quando se banhava no rio. O médico cubano que nós acompanhávamos, produziu rapidamente uma imobilização, uma sedação da dor e isso garantiu energia para o deslocamento ao hospital do município de Santo Antônio do içá. Essa criança passou por uma cirurgia e ela foi salva. Dificilmente a não presença do médico e do enfermeiro, atendimento intermediário, teria dado condições a ela de seguir adiante”.
O médico ressalta, ainda, que os Distrito Sanitário Especial Indígena (Dseis) do Amazonas só tiveram médicos permanentes quando os especialistas cubanos atuavam no programa.
Alcindo afirma que o que acontece no estado é um reflexo da situação de saúde no Brasil, onde existe uma dificuldade de fixação de médicos em territórios de baixo desenvolvimento econômico.
“Há uma certa dificuldade cultural e estrutural da medicina e da maior parte dos médicos de entenderem o seu trabalho como um trabalho de relevância pública, que deveria se mobilizar não pelo poder econômico dos lugares e das pessoas, mas justamente pela necessidade das pessoas. Agora com a abertura dessas vagas, eu espero que os colegas brasileiros se disponham a ocupar essa vagas, dando uma resposta adequada as necessidades de saúde da população”, disse.
Ana Sena
Leia Mais: