O ingresso do prefeito David Almeida, hoje filiado ao Avante, no Partido Democrático Trabalhista (PDT) é uma “possibilidade” que está “na fase dialogal”, nas palavras do presidente estadual da sigla trabalhista no Amazonas, Luiz Castro.
Ao RealTime1, o dirigente partidário afirmou a possibilidade, mas ressaltou que “ainda não há uma decisão tomada entre as partes”.
O prefeito, por sua vez, descartou que vá trocar de partido. Ele respondeu à reportagem dizendo que continuará no Avante. “O restante é especulação”, declarou nesta quarta-feira (29).
Luiz Castro e David Almeida foram colegas na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) e, segundo o pedetista, mantêm uma boa relação pessoal.
A articulação ganhou força após o prefeito de Manaus perder o Progressistas – que era presidido provisoriamente por seu vice, Marcos Rotta. Agora, o partido é presidido por Rodrigo de Sá, diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM).
O comando do partido no Amazonas foi prometido a David no fim do ano passado pelo presidente nacional, Ciro Nogueira.
David foi eleito pelo Avante e preside a agremiação no Amazonas.
Nova totalização de votos
O Avante não tinha alcançado a “cláusula de desempenho” na eleição para a Câmara dos Deputados em 2022, o que faria com que perdesse o acesso ao dinheiro do Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuita de rádio e televisão até 2026.
Entretanto, uma retotalização de votos, em janeiro desse ano, garantiu os requisitos suficientes para alcançar a cláusula e usufruir dos benefícios eleitorais. Apesar disso, o partido só elegeu sete deputados federais, ou seja, continua pequeno – para efeito de comparação, o PDT elegeu 17 e o PP, 47. Quanto maior a bancada na Câmara, maior a verba e o tempo de propaganda.
Com isso, o movimento natural é que o prefeito busque um novo abrigo partidário para a disputa de 2024.
A procura por um partido mais robusto e competitivo é comum quando prefeitos e governadores eleitos por legendas menos expressivas buscam a reeleição.
Assim fez, por exemplo, Wilson Lima, que se elegeu governador do Amazonas pelo PSC em 2018 e disputou a reeleição pelo União Brasil.
Situação parecida viveu o ex-presidente Jair Bolsonaro, eleito pelo PSL e que se filiou ao PL na tentativa de reeleição.
Em 2002, Eduardo Braga se elegeu governador do Amazonas pelo PPS (hoje Cidadania) e depois entrou para o MDB, partido pelo qual conquistou sua reeleição e onde permanece filiado até hoje.
‘Conversamos com todos, com ele, com o Nicolau’
O secretário-geral do PDT no Amazonas, Stones Machado, militante histórico do partido e membro do diretório nacional, disse na terça-feira (28) que o partido está aberto para conversar. Ele, contudo, diz que as assertivas de que David será filiado, por enquanto, são apenas especulações.
“O nosso partido está conversando com todos os agentes públicos aqui da cidade de Manaus e do Estado. Nós somos um partido que conversamos com todo mundo. Então, não tem nenhum problema. E, na hora certa hora, a gente vai conversar com quem tiver que conversar, sim, com ele [David], com o Nicolau [Ricardo, também ex-deputado estadual e prefeiturável, hoje filiado ao Solidariedade], com outros partidos que possam estão no arco de aliança nosso a nível nacional e a gente vai conversar”.
Em relação a haver ou não espaço dentro do partido para abrigar pelo menos três nomes com potencial para a disputa majoritária de 2024, o secretário-geral diz que a situação é conciliável. “Não vejo nenhum problema nisso aí”, disse Stones.
Além de Luiz Castro [e, eventualmente, David Almeida], o PDT tem a defensora Carol Braz nos seus quadros. Carol, inclusive, é vice-presidente estadual. Procurada para comentar a reportagem, ela não se manifestou sobre o assunto.
Histórico partidário nas eleições
David foi eleito pela primeira vez para a ALE-AM, em 2006, pelo extinto Partido dos Aposentados da Nação (PAN), incorporado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) no fim do mesmo ano.
Em 2010, foi reeleito pelo Partido da Mobilização Nacional (PMN).
Quatro anos depois, disputou pelo Partido Social Democrático (PSD), comandado no Amazonas pelo senador Omar Aziz, e se reelegeu para o terceiro mandato.
Em 2017, ainda no PSD, presidia a ALE-AM quando assumiu interinamente o Governo do Amazonas após a cassação de José Melo e Henrique Oliveira.
Articulou disputar a eleição tampão, mas foi impedido por Omar.
Deixou o PSD e, em 2018, entrou para o Partido Socialista Brasileiro (PSB), do então colega Serafim Corrêa, e pela legenda disputou as eleições de 2018 contra Omar, Amazonino Mendes e outros, pleito que teve Wilson Lima como vencedor.
Em 2019, deixou o PSB após ser convidado pela direção nacional do Avante para comandar o partido no Amazonas. Foi a primeira vez em que David teve um partido para “chamar de seu”.
Foi pelo Avante que ele venceu a eleição de 2020 para a Prefeitura de Manaus.
Ao RealTime1, David destacou que o seu partido alcançou a cláusula de desempenho. “Temos tempo de TV e fundo partidário e eleitoral”, ressaltou.
“Meu partido é o Avante. Continuo [filiado]. O restante é especulação”, afirmou.
Luciano Falbo, do RealTime1
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