Embora o Amazonas tenha o 16° maior Produto Interno Bruto (PIB) do país, a renda média da população do estado é a segunda pior do Norte. A renda dos amazonenses na região só está acima da média da população do Pará, estado que também se destaca como gerador de riqueza, respondendo pelo 10° maior PIB do país.
Os números sobre renda média da população são do estudo “Mapa da Riqueza no Brasil”, divulgado, no final do mês passado, pela Fundação Getulio Vargas (FGV) com dados de 2020, mesmo ano de referência do último PIB dos estados divulgado pelo IBGE. A renda média da população do Amazonas é de R$ 617,05 e a do Pará, R$ 506,77.
A renda da população nos estados mais ricos da região Norte só não é pior que de seis estados do Nordeste, onde o Maranhão tem a pior renda média da população no país, de R$ 408,98.
O estudo mostra, ainda, que a renda média dos amazonenses ficou estável entre 2018 e 2020, o que fez com que o estado se mantivesse na 20ª posição no ranking entre as unidades da federação. No período, a renda média aumentou cerca dez reais: saiu de R$ 607,56 para R$ 617,05.
Renda declarada em queda
Os amazonenses que declaram Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) têm a quinta pior renda média do país e registraram, entre 2018 e 2020, queda nos rendimentos declarados, mostra o estudo da FGV.
A renda média declarada foi de R$ 7.398 em 2020, valor que é menor que o registrado em 2019 (R$ 7.452) que, por sua vez, também ficou abaixo do declarado em 2018 (R$ 7.476). A redução fez com que o Amazonas caísse sete posições no ranking da renda média dos declarantes do IRPF dos estados brasileiros, saiu de 15° para 22°.
Desigualdade
A desigualdade de renda no Brasil é maior do que o imaginado, segundo a conclusão do estudo da FGV, na avaliação que uniu a base de dados do IRPF à da PNAD Contínua (do IBGE). Os pesquisadores calcularam o índice Gini, que mede o grau de concentração de renda e que chegou a 0.7068 em 2020, bem acima dos 0.6013 calculados pela PNAD Contínua.
“Cada 0,03 pontos equivale a uma grande mudança da desigualdade. Para o cálculo do Gini, quanto mais perto de 1 está o índice, maior é a desigualdade”, diz trecho do estudo, que também apoutou que a desigualdade brasileira não caiu durante a pandemia.
Pior entre os mais pobres
“Se a fotografia da distribuição de renda é péssima, o filme da pandemia também é. Mesmo com o Auxílio Emergencial, ao contrário do que se acreditava, a desigualdade brasileira não caiu durante a pandemia. Pela abordagem usual, o Gini teria caído de 0,6117 para 0,6013, já na combinação de bases, o Gini sobe de 0.7066 para 0,7068”, compara o estudo.
A análise conclui, ainda, que as perdas dos mais ricos (1% da população do país) foi de -1,5%, menos da metade das da classe médica (-4,2%), “a grande perdedora da pandemia”.
Da Redação
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