quarta-feira, 23 de setembro de 2026

AM teve maior aumento de preço de combustíveis da região Norte

Logo em 1 de janeiro, postos de combustíveis reajustaram preços em todo o país sem justificativa. A prática está sendo investigada pelo Ministério da Justiça.
COMPARTILHE
Pessoa abastece veículo em posto de combustíveis com bomba de gasolina vermelha.
MPAM ajuizou 33 ações civis públicas contra postos de combustíveis de Manaus por reajustes abusivos e uniformes no preço da gasolina comum

Os amazonenses sentiram no bolso a maior alta de preços da gasolina, etanol e diesel do norte do país, em janeiro. A subida inesperada ocorreu em todo o país, logo na virada do ano, mas teve maior impacto no Amazonas, com alta de 4,51% da gasolina, 2,13% do etanol e 1,07% do diesel S-10. Os dados fazem parte do levantamento do Índice de Preços Ticket Logo (IPTL).

No estado, o preço médio da gasolina saiu de R$ 4,857 para R$ 5,076, entre dezembro e janeiro. Já o etanol subiu de R$ 3,949 para R$ 4,033, enquanto o Diesel S-10 saltou de R$ 6,899 para R$ 6,973.

A escala de preços continua em janeiro. A partir desta quarta-feira (25), novos valores serão praticados nos postos depois do anúncio de reajuste da Petrobras, feito hoje. A estatal informou que o preço médio de venda da gasolina A vai passar de R$ 3,08 para R$ 3,31 por litro.

As altas sucessivas preocupam economistas e devem trazer impactos negativos para a inflação no primeiro mês do governo Lula. Mas é o consumidor quem está mais preocupado.

Microempresário do bairro Armando Mendes, na zona leste de Manaus, Nilton Cézar, 50, tem deixado o carro em casa para tentar economizar. Ele considera que os preços também subiram em virtude de impasses sobre o fim da isenção do ICMS (Imposto sobre Mercadoria e Serviços), que foi reduzida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro enquanto tentava a reeleição.

“Minha alternativa tem sido deixar o carro na garagem e sair de moto, porque assim consigo gastar menos. Acho que tem muita especulação. O governo disse que ia aumentar, aí os empresários foram lá e subiram”, disse.

A revogação da medida que isentou o tributo sobre os combustíveis chegou a ser cogitada pelo Ministério da Fazenda, mas foi vetada pelo presidente Lula. Ainda assim, os postos subiram os preços na ponta, mesmo sem novos valores da Petrobras. A prática está sendo investigada pela Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor.

Segundo o Ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, não houve razões objetivas para o reajuste de preços feito pelos postos, em janeiro. Ele disse que determinou ao secretário Nacional do Direito do Consumidor que apurasse o assunto.

“Não houve aumento na Petrobras e não há base empírica para que haja essa descoordenação em relação a preços”, afirmou.

COMPARTILHE