Lideranças ouvidas pelo RealTime1 consideram positivo o anúncio do ex-governador de São Paulo e vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) como futuro titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) em relação à Zona Franca de Manaus (ZFM), apesar do passado recente ser marcado por guerras fiscais travadas entre a indústria paulista e amazonense.
Um dos parlamentares mais atuantes do estado na defesa do modelo ZFM, o deputado estadual Serafim Corrêa (PSB), afirma que, ao contrário da posição anterior, na qual tinha a obrigação de defender a indústria paulista, o agora futuro ministro da Indústria e Comércio deverá manter o diálogo como todo o setor produtivo nacional, incluindo, obviamente, o Polo Industrial de Manaus (PIM).
“O que se levanta é que, durante os quatro mandatos em que foi governador do Estado de São Paulo, ele teria ficado ao lado de São Paulo em oposição à Zona Franca. É claro, ele era o governador do Estado de São Paulo. Ele tinha que defender os interesses do estado dele. Agora a posição das cadeiras se inverteu. Quem terá de defender os interesses de São Paulo será o governador eleito Tarcísio de Freitas. Alckmin agora é vice-presidente e será ministro da indústria e comércio de todo o país, e como tal, a Zona Franca e o Amazonas estão incluídos”, pontuou Serafim.
O parlamentar amazonense, inclusive, enxerga no fato de ser do mesmo partido de Alckmin um ponto positivo para a defesa da Zona Franca.
“Ele é do meu partido. Tenho o melhor diálogo possível com ele. Alckmin é uma pessoa do diálogo, do entendimento e que sempre busca o melhor para o Brasil e, com certeza, será isso que vai acontecer”.
Da mesma maneira, o ex-superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira, acredita que as disputas entre Alckmin e a indústria do Amazonas ficaram no passado. Segundo ele, a Zona Franca vive “um novo momento” com o início de um novo governo federal, fato que também impõe a necessidade de se discutir todos os aspectos referentes ao modelo.
“Não vejo mais espaço para esta polarização entre Amazonas e São Paulo. Creio que a Zona Franca deve ser vista como instrumento de desenvolvimento do país. Por isso, confio que o presidente vai manter e fortificar a Zona Franca. Mas para isso é necessário que essas decisões passem por toda a administração, para que não dependa do eventual ocupante da pasta da indústria e comércio ou do Ministério da Fazenda.”, defendeu.
“O [presidente eleito] Lula é uma pessoa que conhece plenamente o Polo Industrial de Manaus e o seu valor. Por isso, não tenho a menor dúvida de que não são palavras da boca para fora”, concluiu Thomaz.
Texto: Lucas Raposo
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