quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Amom diz que não pensa em Prefeitura e que mercado de carbono será prioridade

O RealTime1 teve acesso à 2 sondagens, onde o deputado federal eleito, Amom, aparece tecnicamente empatado com David Almeida, que deverá tentar a reeleição para Prefeitura.
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amom
(Foto: Divulgação)

O vereador de Manaus e deputado federal eleito, Amom Mandel (Cidadania), afirmou que não pensa na próxima eleição, em 2024, para Prefeitura de Manaus.

O RealTime1 teve acesso a duas sondagens, onde Amom aparece tecnicamente empatado com o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), que deverá tentar a reeleição daqui a dois anos.

Se concorrer em 2024 e não for eleito, Amom não ficará sem mandato uma vez que a permanência dele na Câmara Federal encerrará em 2026, quando poderá disputar a reeleição.

“Hoje eu penso no meu mandato. Fazer a transição e ter o melhor mandato possível como deputado federal. Não posso antes mesmo de assumir o meu mandato como deputado federal começar a pensar em uma próxima eleição”, declarou em entrevista ao site.

Amom foi eleito o deputado federal mais jovem e o mais votado do Amazonas. Ele obteve 288.555 votos e ultrapassou o recorde do ex-deputado Arthur Bisneto (PSDB), que foi eleito com 250.916 mil votos em 2014.

Essa foi a segunda vez que Amom foi testado nas urnas. A estreia ocorreu na eleição de 2020, quando ele foi eleito o vereador mais jovem da Câmara Municipal de Manaus com 7.537 mil votos.

O parlamentar disse que conquistar cargos não é o seu objetivo e que está na política para gerar transformação.

“Fazer com que o dinheiro desviado seja devolvido, que a nossa região se desenvolva, que o meio ambiente seja preservado, que quem passe fome deixe de passar fome. Pra mim não importa qual cargo que eu ocupe e sim o nível de influência que eu consigo ter em relação a essas pautas”, declarou.

Confira outros trechos da entrevista com o deputado federal eleito, Amom Mandel:

Quais as pautas prioritárias que irão conduzir o seu mandato na Câmara Federal?

R: Tenho 23 compromissos que foram registrados em cartório e após a campanha assumi como prioridade número um o mercado de carbono no Amazonas. Fui a São Paulo. Visitei várias startups ligadas ao mercado de carbono. Visitei também empresas relacionadas ao setor de petróleo e gás que estão investindo no Amazonas. Estou entendendo o que cada ator desse pensa. Quais são as dificuldades que eles encontram para investir no Amazonas. O que pode ser feito para facilitar a entrada desse tipo de iniciativa para que a gente consiga ter o social carbon, ou seja, os investimentos na área de mercado de carbono sejam revestidos em emprego e renda para população, benefícios para os municípios.

Qual o seu posicionamento sobre as reformas reforma administrativa e reforma tributária?

R: A reforma administrativa está sendo discutida amplamente. Não sei se vai ser aprovada ainda neste ano. Já a reforma tributária, espero e acredito que não vá ser aprovada agora porque tem uma série de imprecisões e pontos negativos que foram colocados. Hoje há uma injustiça muito grande no pagamento de tributos no Brasil que faz com que, proporcionalmente, o empresário pague menos impostos que o cidadão que está na ponta por conta dos impostos agregados. Seria muito mais vantajoso e justo reduzir os impostos de produtos agregados e passar a concentrar no próprio Imposto de Renda. Temos que mudar. Talvez para o governo não mude muito em relação à receita. No entanto, socialmente seria muito mais justo e faria com que as pessoas de baixa renda tivessem mais dinheiro para fazer os recursos circularem na economia.

De que forma pensa o futuro da Zona Franca? Como um deputado federal pode auxiliar no desenvolvimento deste modelo econômico?

R: Temos que diversificar a matriz econômica do estado. Não necessariamente trocar, embora essa seja uma tendência para as próximas décadas. Provavelmente passaremos por uma mudança e não apenas diversificação. O meu foco é mostrar como a geração de desemprego na região causada pela desidratação da Zona Franca de Manaus, que atualmente ocorre, pode acabar prejudicando os próximos negócios dos empresários do Sul e Sudeste do Brasil. Hoje, por exemplo, o agronegócio e agropecuária brasileira encontram alguns empecilhos a nível nacional e internacional porque, muitas vezes, ocorre tentativa de boicote a esses produtos por conta da falta de políticas ambientais. Faz muito mais sentido esses empresários andarem lado a lado com os interesses de preservação da Amazônia para que os seus produtos sejam bem recepcionados internacionalmente do que tentarem pressionar toda vez para enfraquecer a Zona Franca.

Como se posiciona sobre as possíveis privatizações da Petrobras e do Banco do Brasil?

R: Gosto de analisar caso a caso porque privatizar por si só não é necessariamente negativo. E não privatizar por si só, também não é necessariamente negativo. Em casos como o da Petrobras defendo que por conta da importância que isso tem nacionalmente até por uma questão de soberania e de independência do Brasil nós temos que nos ater aos custos que são gerados em reais para que a empresa tenha lucro em reais. O que acontece hoje é uma espécie de injustiça. A gente tem grande parte da mão de obra gasta em real e o lucro em dólar. A Petrobras acaba prejudicando a nossa população com isso.

Lula foi eleito. O senhor será oposição ou vai se aproximar da base do governo?

R: Minha resposta não muda. Sempre mantenho uma postura de independência. Não me interessa quem foi eleito ou quem vai sentar na cadeira. Um parlamentar tem o papel de fiscalizar, tem a responsabilidade de legislar e representar. Sempre que eu achar que tem alguma coisa boa para nossa região, sendo tratado a nível nacional, e o presidente está sendo contra, eu vou, veementemente, contra a postura dele. Quando ele for a favor de alguma coisa que eu ache que beneficia a nossa região e o nosso estado serei a favor da mesma pauta. Eu não olho primeiro o que o presidente pensa para poder me posicionar. Observo o cenário e já tenho a minha opinião formada. Meus ideais não mudam de acordo com a opinião do presidente.

Como irá se posicionar sobre a pauta de costumes”, no Congresso, diante de temas polêmicos como o aborto? E sobre a ideologia de gênero nas escolas? E a escola sem partido?

R: Pra mim é muito simples: o que deve reger os costumes é a moral e não a lei. O que deve reger os costumes são os próprios costumes. Temos pautas mais importantes a nível nacional para serem discutidas que envolvem o combate à fome, saúde e educação e não costumes. Esse debate deve ser feito dentro das igrejas, do próprio seio familiar e não dentro do Congresso Nacional. Isso não é matéria para ser discutida entre políticos.

Texto: Larissa Cavalcante

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