quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Um passo em frente, dois atrás: os desafios de Lula na transição

Ao Portal RealTime1, o cientista político Gilson Gil analisa os desafios Lula. O futuro presidente Lula tem desafios cruciais, que podem marcar o início e fim do mandato.
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Em artigo exclusivo ao Portal RealTime1, o cientista político Gilson Gil analisa os desafios da nova presidência da República. Confira:

Para além das manifestações e bloqueios, que, por ora, são de responsabilidade do atual mandatário – Jair Bolsonaro – o futuro presidente Lula tem alguns desafios cruciais, que podem marcar o início de sua gestão e até o restante de seu mandato.

Pode-se começar pela formação da “equipe da transição”. Nomes díspares, como Simone Tebet, Omar Aziz, Marcelo Ramos, Pérsio Arida, André Lara Rezende e Guilherme Boulos são alguns dos participantes desse “frentão”, sem falar de Geraldo Alkmin, antigo tucano e católico fervoroso da OPUS DEI, tão criticado pela esquerda, que virou o coordenador.

O PT já mostrou insatisfação, cobrando mais espaço. A deputada Gleisi Hoffman ouviu várias queixas e disse que vai buscar este espaço cobrado pelo PT.

Além disso, grupos de gênero e raça pedem paridade na equipe e, depois, no ministério, não esquecendo que o nome “ministério dos Povos Originários” não agradou a grande parte dos líderes indígenas. Como equilibrar tudo isso, sem descontentamentos?

Outro ponto é arrumar os dez partidos da coligação que elegeu Lula em cargos atraentes. Esses partidos elegeram 122 deputados. Se o PDT se aliar, esse grupo irá para 139. Ainda é pouco para passar Emendas Constitucionais (é preciso 308).

Quais os cargos que esses partidos desejarão? O PT já anunciou que quer a primazia dessa frente, especialmente a Economia. Quantos ministérios terão de ser criados? Qual o custo disso? Setores do núcleo duro da coligação defendem que PSD, União Brasil e PMDB entrem nessa aliança, assim como o PSDB.

Porém, outros fatores, como as eleições para as presidências do Senado e Câmara surgem. Apoiar Rodrigo Pacheco e Artur Lira, desagradando aos companheiros mais ideológicos? Ou lançar um candidato governista, correndo o risco de enfrentar a ira desses líderes (o fator Cunha)? Isso tudo sem falar nos possíveis acordos visando as eleições de 2024.

Em termos concretos, há problemas como o orçamento de 2023, com o Bolsa-Família de 600 reais, o extra de 150 $ para cada criança até 6 anos dessas famílias e o aumento do salário-mínimo acima da inflação, que deve ficar em 1,4%, precisando ser implantados, pois eram promessas. Como viabilizar isso em um Congresso que está se despedindo? Como revisar o orçamento já elaborado, sem afetar os acordos feitos? E o orçamento secreto/emendas do relator? Lula prometeu que acabaria com isso.

Mas e agora, como fará, necessitando do apoio deste Congresso atual, para passar suas promessas? Será preciso furar o teto de gastos através de uma PEC. E os efeitos disso na economia? Como ele fará para rearranjar as contas públicas depois?

Enfim, são alguns dos temas polêmicos que Lula terá, por ora, de enfrentar. Administrar frentes, reunindo desde PSOL até União Brasil, passando por PT e PSD, não é fácil. O que lhe será cobrado? O que terão a oferecer ao presidente eleito? É o que precisaremos conferir até dezembro.

Por Gilson Gil – Cientista Político


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