quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Bolsonaro e Lula têm estratégias para virar votos e atrair indecisos

Em semana decisiva, Bolsonaro se vale de pesquisas diárias e propostas para baixa renda. Já petista aposta em Tebet e na mobilização da militância por votos nos bairros.
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O debate entre Lula e Bolsonaro realizado no domingo não influenciou nos resultados da pesquisa (Foto: Reprodução)
O debate entre Lula e Bolsonaro realizado no domingo não influenciou nos resultados da pesquisa (Foto: Reprodução)

Enquanto a campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) monitora o tamanho do estrago que Roberto Jefferson provocou entre os seus eleitores com pesquisas diárias que medem as variações de opinião, segue-se um contra-ataque para tentar desviar o foco do tema. 

Além anunciar diversas medidas, como uma “denúncia” de apoiadores, ainda não comprovada, de abuso de inserção de propagandas de Lula, Bolsonaro lança um novo programa chamado Zap da saúde, e recicla a promessa da campanha de 2018, o reajuste tabela do Imposto de Renda.

Tudo para, nesta reta final do segundo turno das eleições, tentar virar votos e atrair os eleitores indecisos, que somam 2%. Mais uma vez, as regiões Nordeste e Sudeste serão decisivos, já que concentram, juntas, 70% do eleitorado.

 Por essa razão, a campanha Lula-Alckmin (PT/PSB) vai aproveitar, ao máximo, a presença de Simone Tebet na última semana da disputa, em Minas Gerais, onde comandará uma reunião com prefeitos.

Na condição de “estrela da campanha” do petista, Tebet ainda acompanhará Lula no debate da TV Globo, no Rio e antes disso pode ter uma agenda em Piracicaba (SP).

Os petistas estão impressionados com a disposição de Tebet para viajar. Segundo integrantes de movimentos populares, a entrada dela na campanha facilitou as mobilizações espontâneas.

Já Bolsonaro retoma agenda de viagens pelo Nordeste, começando pela Bahia, mas sem conseguir, ainda, se aproximar do candidato ao governo, ACM Neto.

QG bolsonarista preocupado

Com os levantamentos internos até então dando empate técnico, com tendência pró- Bolsonaro, interlocutores da campanha apontam que os ventos parecem ter mudado de direção. A  reação do mercado, com subida do dólar e forte queda nas bolsas como ressaca da tragédia provocada por Jefferson,  assustou o QG bolsonarista.

Internamente, o tempo é considerado muito exíguo pra correr atrás do prejuízo, mas a avaliação é que não há espaço ou possibilidade de se pensar em desânimo, sob pena de antecipar uma derrota.

Eleitor de baixa renda no foco

De olho do eleitorado de baixa renda, mais volátil, em seu horário eleitoral, Bolsonaro prometeu a criação do Zap da saúde, com marcação de consultas pelo celular, zerando as filas nos hospitais e permitindo que a população, ao sair da consulta, vá à farmácia buscar o seu medicamento que estará disponível.

Como, quando e com que dinheiro essa medida seria colocada em prática, o governo não diz. É também uma resposta aos estragos provocados por Paulo Guedes ao cortar orçamento da Farmácia Popular e virar alvo de ataques da oposição.

Vira-voto

Ainda como estratégia de atrair os eleitores indecisos, a campanha petista está divulgando o site que calcula o Índice de Vira-Voto (IVV), a partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e baseado em quem não votou em Bolsonaro e apoiou Simone Tebet ou Ciro Gomes, e que pode escolher Lula neste 2º turno.

O site “ondevirarvoto.github.io” mostra os bairros brasileiros em que há maior possibilidade de virada de votos para Lula (PT) neste 2º turno, orientando o apoiador do petista onde ir fazer campanha nesta real final da eleição.

De acordo com o site, quanto mais perto de 1 está o IVV de um bairro, maior a chance de ‘virar o voto’.

Em Manaus, os dois maiores IVV estão na zona rural (0.75) e na Colônia Antônio Aleixo (0.74), em que Lula saiu na frente no 1º turno. A menor possibilidade de virada de votos para o petista na capital está na Vila Buriti (0.24) uma vez que Bolsonaro 77,8% da preferência dos eleitores militares no primeiro turno.

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