terça-feira, 29 de setembro de 2026

Eleição de 2018 teve virada no 2º turno presidencial em 3% das cidades

Das 20 maiores cidades em que houve virada na eleição presidencial de 2018, 14 eram no Nordeste, incluindo duas capitais: Fortaleza e Recife.
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cabine votação urna eleição virada

Viradas entre o primeiro e o segundo turno, como as que Jair Bolsonaro (PL) precisa para superar Lula (PT) em 2022, são incomuns e há quatro anos aconteceram em apenas 3% dos municípios brasileiros.

No pleito de 2018, quando Bolsonaro ganhou de Fernando Haddad (PT), somente 147 das 5.570 cidades brasileiras registraram vencedores diferentes na primeira e na segunda rodada da disputa presidencial.

Em 121 delas, as viradas foram em favor de Haddad, enquanto em outras 25 Bolsonaro prevaleceu na votação final. Em um município houve empate no primeiro turno, mas o petista ganhou no segundo.

Há quatro anos, a corrida não foi marcada por uma polarização clara desde o início. Assim, candidatos como Ciro Gomes (PDT) e Geraldo Alckmin (então no PSDB e hoje no PSB) apresentaram desempenhos significativos em parte dos municípios, aumentando o estoque de votos em disputa no segundo turno.

Das 20 maiores cidades em que houve virada, 14 eram no Nordeste, incluindo duas capitais: Fortaleza e Recife.

2022 terá aumento de viradas no 2º turno?

Na avaliação de Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor de ciência política da FGV, é muito difícil que ocorra neste ano uma alta expressiva de viradas entre o primeiro e o segundo turno em relação a 2018.

Ele cita o contexto político da disputa em 2022, marcada por maior polarização entre os candidatos, e pondera que o eleitor já está mais decidido sobre em quem irá votar.

Pesquisa Datafolha divulgada na sexta (14) mostra que 93% dos eleitores se dizem totalmente decididos sobre o voto para presidente, enquanto 6% afirmam que a escolha ainda pode mudar.

Para Teixeira, há dois fatores que dificultam o aumento dessas viradas agora: a pulverização dos temas abordados na campanha e a fragmentação dos apoios. Há quatro anos, diz, o tema predominante foi a corrupção. Neste ano, há, ainda, os temas de economia, costumes, democracia e pandemia, por exemplo.

Os apoios em 2022 também estão fragmentados, como destacou o professor. Dentro de um mesmo partido há lideranças que apoiam Lula e outras que endossam Bolsonaro, a exemplo de MDB, PSDB e PSD. Assim, o peso da transferência de voto não seria suficiente para viradas expressivas, segundo o professor.

“Temos dois transferidores de votos, que são Lula e Bolsonaro, mas eles estão competindo entre eles. Eles seriam capazes de mexer na eleição se os outros [candidatos] estivessem sendo apoiados por eles.”

Texto: Victoria Azevedo, Flávia Faria, João Pedro Pitombo e Letícia Padia (FolhaPress).

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