Oito de cada dez eleitores disseram ao Datafolha que já decidiram como votarão para presidente quando estiverem diante da urna no dia 2 de outubro, mas pesquisadores influentes desconfiam que um número significativo deles ainda esconde suas preferências.
Na visão desses especialistas, é possível que alguns apoiadores dos dois candidatos que há meses estão na frente da corrida, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), ainda se sintam desconfortáveis para declarar abertamente sua opção aos institutos de pesquisa.
Seria uma manifestação de um fenômeno conhecido nas ciências sociais como “viés de desejabilidade social”, que leva muitas pessoas a se distanciar de comportamentos reprovados em certas situações, ocultando suas preferências para evitar julgamentos desfavoráveis.
Uma das hipóteses é que bolsonaristas esconderiam o voto devido à alta rejeição do presidente, repudiado por mais da metade do eleitorado. Outra sugere que lulistas teriam vergonha de reconhecer a opção nos ambientes em que a rejeição ao petista também é elevada.
Mas até os que consideram essas hipóteses plausíveis reconhecem que faltam evidências sólidas para comprová-las, numa disputa que tem sido marcada por grande convicção do eleitorado e variações muito pequenas nas preferências captadas pelos institutos de pesquisa.
Há uma semana, quando o Ipespe perguntou aos eleitores numa pesquisa telefônica de âmbito nacional se eles falam abertamente sobre seus candidatos em conversas com desconhecidos ou em locais públicos, 38% disseram que evitam declarar seu voto para presidente.
Segundo o instituto, mulheres e pessoas de baixa renda e menor escolaridade optam mais pelo silêncio.
“Como Lula tem ampla vantagem nesses segmentos, pode ser um sinal de que bolsonaristas evitam abrir o voto entre eles”, diz o cientista político Antonio Lavareda, do Ipespe.
O único indício de que isso pode estar ocorrendo de fato é fornecido por pesquisas telefônicas, diz Orjan Olsen, ex-diretor do Gallup.
Em geral, elas têm apontado números ligeiramente melhores para o presidente do que as feitas com entrevistas presenciais, como a do Datafolha.
Teoricamente, os eleitores se sentiriam mais à vontade para expressar opiniões políticas nas pesquisas telefônicas por não ter contato direto com os entrevistadores. Muitas são conduzidas por sistemas que disparam automaticamente perguntas gravadas, o que ampliaria esse efeito.
Mas pode ser também que os números reflitam diferenças nas amostras dos levantamentos.
“As pesquisas telefônicas têm maior dificuldade para alcançar eleitores mais pobres, fatia na qual a vantagem de Lula é maior, e isso pode explicar a diferença pró-Bolsonaro”, afirma Olsen.
Fonte: Folhapress
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