quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Corte de verba do Casa Verde Amarela vai parar obras de 140 mil moradias

Corte de verbas do Orçamento 2023 impacta programa de moradia popular do Governo Federal e 140 mil imóveis terão as obras interrompidas em todo o País.
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Casa Verde Amarela /Bolsonaro deixou no Orçamento apenas R$ 34,2 milhões para o programa (Foto: Reprodução)
Bolsonaro deixou no Orçamento apenas R$ 34,2 milhões para o programa (Foto: Reprodução)

O corte expressivo nas verbas do programa Casa Verde e Amarela em 2023 vai congelar as obras de 140 mil unidades de moradia popular num cenário em que o País ainda convive com elevado déficit habitacional.

O Brasil tem uma deficiência de 5,9 milhões de casas, segundo diagnóstico da Fundação João Pinheiro para o ano de 2019, o mais recente disponível. Nesse universo, há cerca de 1,5 milhão de domicílios precários, que incluem aqueles improvisados em barracas ou viadutos e os classificados como moradias rústicas (sem reboco ou de pau a pique).

O presidente Jair Bolsonaro (PL) enviou a proposta de Orçamento de 2023 com uma reserva de apenas R$ 34,2 milhões para o Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), que banca a construção de novas casas subsidiadas pelo governo -modalidade voltada para famílias com renda de até R$ 2.400.

O valor é 95,3% menor do que o previsto inicialmente para este ano e representa o estrangulamento quase total de um programa que já vinha definhando com reduções sofridas ano a ano.

Embora se aplique apenas a 2023, a tesourada tem impacto imediato. Sem garantia de recursos para o ano que vem, o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) fica impedido de retomar 15 mil obras paradas e que estavam na programação da pasta para recomeçar até dezembro.

Os canteiros ativos podem continuar operando com a verba deste ano, mas, a partir de janeiro, 125 mil obras devem ser suspensas, caso a reserva de recursos não seja revista durante a votação do Orçamento.

Procurado, o MDR informou que os recursos necessários foram solicitados ao Ministério da Economia, a quem encaminhou os questionamentos sobre o valor final proposto. A Economia não se manifestou até a publicação deste texto.

Texto: Indiana Tomazelli (Folhapress)

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