O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende tirar a Petrobras do programa de privatizações, interromper a venda em curso de refinarias da estatal e ainda adquirir participação relevante na Vibra, antiga BR Distribuidora.
Aliados do pré-candidato à Presidência defendem, até mesmo, a criação de uma estatal de energia, promovendo a fusão da Petrobras com a Eletrobras, cuja desestatização acabou de ser efetivada pelo governo de Jair Bolsonaro (PL).
Maior empresa brasileira, a Petrobras foi incluída no Programa de Parceria de Investimentos (PPI) por Adolfo Sachsida, ministro de Minas e Energia de Bolsonaro.
O presidente Bolsonaro foi eleito com a promessa de privatizar estatais federais e obter mais de R$ 1 trilhão com esse processo. No entanto, conseguiu aprovar no Congresso a venda da Eletrobras depois de várias concessões, e a pulverização do controle da estatal só foi realizada a menos de um ano do fim de seu mandato.
A Eletrobras foi incluída no PPI ainda em 2018, durante o governo Michel Temer. Quando assumiu, Bolsonaro reforçou a intenção de desestatizá-la.
Além disso, incluiu outras estatais no plano de privatizações: Telebras, Correios, ABGF (Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias), Emgea (Empresa Gestora de Ativos), Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), Ceagesp, Ceitec (Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada) e porto de Santos.
A Petrobras entrou de vez na mira de Bolsonaro após a alta crescente dos preços dos combustíveis e reajustes em série promovidos pela petroleira.
A equipe de Lula, no entanto, enxerga erros na estratégia privatista de Bolsonaro neste setor. Para assessores do petista, o preço da energia disparou, atingindo um dos patamares mais elevados da história, e o barril do petróleo chegou à marca de US$ 140, encarecendo toda a cadeia dos combustíveis no País.
Texto: Júlio Wiziacki e Júlia Chaib (Folhapress)
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