O Brasil registrou o maior número de mortes de mulheres grávidas e puérperas em comparação aos últimos seis anos, que são 3.922 a mais do que o registrado pelo Ministério da Saúde, aponta levantamento do Observatório Obstétrico Brasileiro (OOBR) divulgado nesta quinta-feira (7).
O levantamento de dados foi feito no período de 2016 a 2021 e apresentou aumento de cerca de 34% na mortalidade associada a gestação. Segundo os dados oficiais do SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade), foram notificadas 11.436 mortes de grávidas ou puérperas de até 42 dias após o parto.
Para o estudo, foi revisado dados do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade) do Ministério da Saúde. Foram avaliados casos de pessoas do sexo feminino e com idades entre 10 e 49 anos do ano 2016 a 2021.
Na pesquisa, foram analisados atestados de óbitos, que têm um campo para a causa da morte.
Algumas doenças são consideradas causas de mortes maternas. Um exemplo é a diabetes. Se o médico pôr no atestado a categoria “diabetes mellitus na gravidez” para uma mulher que morrer durante a gestação ou em até 42 dias após o parto, o óbito é catalogado como morte materna.
O médico também preenche o campo óbito de mulher em idade fértil. Nele, é apontado se a morte ocorreu em mulheres grávidas, durante o parto, ao fazer um aborto, após o parto ou se não ocorreu nesses períodos.
As pesquisadoras investigaram atestados de óbitos com resposta positiva para os cenários de morte de mulher grávida ou em puerpério de até 42 dias. Além disso, analisaram no campo de causa de morte uma resposta que não é considerada como morte materna, mas que podia ser relacionada com a gravidez. A partir daí, os casos de mortes de grávidas e puérperas que não são notificados foram encontrados.
Alguns atestados indicavam que a mulher morreu ainda grávida ou até 42 dias do parto, porém na causa da morte constava a categoria “diabetes mellitus” genérica. Nesse caso, segundo as autoras do estudo, o ideal seria adicionar a resposta “diabetes mellitus na gravidez”.
A análise observou que o número de mortes maternas causadas pela doença passou de 16 -número oficial do SIM- para 20 depois da revisão proposta pela pesquisa. Para outras doenças, entre 2016 e 2021, por exemplo, foram observadas 1.232 nesse cenário.
A pesquisa também investigou os dados desconsiderados de óbitos maternos tardios. O método era o mesmo, mas considerava somente óbitos em que o médico registrava no atestado que ocorreram a partir de 43 dias. Nesse caso, foram 2.690 mortes não contabilizadas de 2016 a 2021.
Com informações da FolhaPress
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